<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8359710020672334042</id><updated>2012-02-15T22:56:35.190-08:00</updated><title type='text'>Esperança de Liberdade</title><subtitle type='html'>Acreditar
na existência dourada do sol
Mesmo que em plena boca
nos bata o açoite contínuo
da noite

Arrebentar
a corrente que envolve o amanhã
Despertar as espadas
varrer as esfinges
das encruzilhadas</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://esperancadeliberdade.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8359710020672334042/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esperancadeliberdade.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Joffe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13917171670585960114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>6</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8359710020672334042.post-8421549372980435999</id><published>2007-12-26T04:54:00.001-08:00</published><updated>2007-12-26T04:54:52.728-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 1cm;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;LÓGICA &amp;amp; DIALÉTICA À LUZ DO DESENVOLVIMENTO ATUAL DA CIÊNCIA&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center; text-indent: 1cm;" align="center"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;A recente publicação do livro &lt;i style=""&gt;Lógica Marxista e Ciências Modernas&lt;/i&gt;, pela editora Instituto José Luís e Rosa Sundermann, preenche finalmente, após mais de 30 anos, uma das graves lacunas que havia no conjunto das obras de Nahuel Moreno disponíveis no Brasil em língua portuguesa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Escrito originalmente como prólogo ao livro &lt;i style=""&gt;Introdução à Lógica Marxista&lt;/i&gt;, de George Novack, o trabalho de Moreno teve escassa divulgação no Brasil, sendo difícil de encontrar em seu formato original: uma impressão bastante modesta realizada no México.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Tanto pela pequena divulgação do texto quanto por seu conteúdo inegavelmente difícil, esse trabalho encontrava-se até então marginalizado. Pouco lido e pouco utilizado pelos militantes, não pôde revelar até o momento todo o potencial que contém e a riqueza e originalidade das contribuições de seu autor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Esperamos que sua publicação em português possa motivar os militantes do PSTU a aprofundar seus conhecimentos &lt;st1:personname productid="em l￳gica. Ao" st="on"&gt;em  lógica. Ao&lt;/st1:PersonName&gt; partido brasileiro da LIT cabe o enorme desafio e a responsabilidade de formar uma geração de quadros seriamente instruídos, pois as circunstâncias históricas favoráveis para a consolidação de futuros dirigentes da revolução não estarão para sempre disponíveis. Nunca é tarde para lembrar que o dia seguinte à vitória da revolução, mais do que todos os precedentes, exigirá de seus líderes a demonstração prática de seus verdadeiros conhecimentos. Quando este dia chegar, será conveniente ter em mente a advertência de Trotsky:&lt;i style=""&gt; A realidade não perdoa o menor erro de doutrina.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Neste artigo não pretendemos discutir os pontos de vista de Moreno sobre lógica e teoria do conhecimento, nem criticá-los. Essa tarefa exigiria espaço e dedicação muito maiores, pois seria necessário considerar também a teoria do conhecimento de Piaget, a &lt;i style=""&gt;Epistemologia Genética&lt;/i&gt;, seus fundamentos, métodos e resultados. Das contribuições de Moreno — que, repetimos, são importantíssimas e originais — tomaremos apenas aquelas que dizem respeito diretamente aos propósitos desse artigo: elucidar a relação atual entre a lógica e a dialética, em particular expor as conseqüências epistemológicas mais importantes resultantes do advento da lógica paraconsistente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Antes, porém, de entrar no tema que nos interessa, faremos uma pequena digressão para desfazer alguns mal entendidos, muitos dos quais, diga-se de passagem, têm origem no livro de George Novack citado acima. A crítica desse trabalho, contudo, não será feita aqui. Por ora, importa apenas devolver à lógica clássica o seu devido lugar entre as grandes aquisições do pensamento humano, para que em seguida possamos analisar de que maneira ela foi de fato superada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;h1&gt;&lt;span style="font-size: 12pt;"&gt;A lógica clássica&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h1&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Como todos os ramos da ciência, a lógica possui atualmente tantas vertentes e aplicações que defini-la com poucas palavras é quase impossível: sempre acabamos negligenciando alguns aspectos ou exagerando a dimensão de outros. Entretanto, se fizermos uma separação mais ou menos grosseira entre suas principais correntes, e se nos restringirmos ao que se denomina &lt;i style=""&gt;lógica clássica&lt;/i&gt;, talvez possamos defini-la em termos genéricos, deixando os detalhes para outra ocasião.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;A lógica clássica, ou formal, é, basicamente, &lt;b style=""&gt;um conjunto de técnicas matemáticas destinadas a verificar a coerência formal de conhecimentos em estado de acabamento teórico,&lt;/b&gt; isto é, conhecimentos que, de modo geral, estão já contidos no interior de teorias científicas estruturadas. Expliquemos isso melhor.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Os conhecimentos humanos, em determinado grau de seu desenvolvimento, adquirem a forma de &lt;i style=""&gt;teorias científicas&lt;/i&gt;. Tais conhecimentos e a própria teoria construída com eles passam permanentemente por uma avaliação social global, tanto teórica quanto prática. Os conhecimentos em si, por exemplo, a metalurgia, a geração e a distribuição de energia elétrica, as telecomunicações, são objeto de uma grande variedade de teorias científicas e de ciências. A produção de energia elétrica, como tal, não será jamais objeto da lógica. Da mesma forma, a lógica não se interessará em saber como as ondas eletromagnéticas são transformadas em corrente elétrica e depois em som pelos nossos aparelhos de rádio. Entretanto, em certo sentido, a lógica se interessa muito em saber como o eletromagnetismo surgiu, quais modificações estruturais esse novo ramo do conhecimento trouxe para a física, e de que maneira os pressupostos dessa ciência foram, a partir de então, modificados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Resumindo: as ondas de rádio, os fenômenos luminosos, a propagação das ondas eletromagnéticas são fenômenos estudados por físicos, engenheiros e matemáticos. O estudo desses fenômenos constitui um ramo particular do conhecimento científico denominado &lt;i style=""&gt;eletromagnetismo&lt;/i&gt;. O eletromagnetismo é um ramo da física, ciência que, como sabemos, estuda os fenômenos da natureza e suas leis.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Pois bem. Insistamos no seguinte: a lógica não se interessa propriamente pelo que são os fenômenos eletromagnéticos (sua natureza “íntima”), porque esses fenômenos são &lt;i style=""&gt;objetos concretos&lt;/i&gt;, são &lt;i style=""&gt;coisas reais&lt;/i&gt;, estudados por ciências específicas. A lógica entrará em ação apenas quando nossos conhecimentos sobre esses fenômenos começarem a ser estruturados como teorias científicas. Nesse momento, ela não questionará os conhecimentos em si (o que é a luz?), mas a teoria científica que se erguerá sobre eles.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Os fenômenos reais não são, portanto, o objeto da lógica. Vamos repetir pela última vez: os fenômenos eletromagnéticos são estudados pelos físicos. Sua utilização pela indústria é estudada pelos engenheiros. A lógica não se interessa por nada disso. A lógica se interessará apenas pela estruturação dos conceitos e sobre o modo como as conclusões são obtidas deles. A lógica questionará e estudará, portanto, a estruturação racional dos conhecimentos sobre o eletromagnetismo quando eles estiverem num estado de acabamento teórico, como teoria científica. Nesse momento, os fenômenos estarão descritos por meio de conceitos, subordinados a leis descritas matematicamente. Então, a lógica investigará a estrutura da teoria científica do eletromagnetismo, centralmente para saber se dessa teoria, do modo como foi construída, não se poderiam deduzir, eventualmente, conclusões equivocadas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Neste ponto, alguém poderá dizer:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;— Ora, mas desse ponto de vista a lógica e a teoria do conhecimento seriam praticamente a mesma coisa, pois tudo o que se disse anteriormente sobre o “interesse” da lógica poderia ser dito sobre a epistemologia.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;De fato. A lógica e a epistemologia, ao menos em suas formas não-especulativas, têm muita coisa em comum, da mesma maneira que a física e a matemática muitas vezes se confundem, tornam-se temporariamente indiscerníveis, sendo a separação entre elas puramente convencional.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Voltando ao assunto: se o objeto da lógica não são os fenômenos reais e sim as teorias elaboradas sobre eles, então devemos concluir que o objeto da lógica são conceitos e leis científicas, porque as teorias científicas são compostas basicamente por conceitos e leis. É quase isso. Como dissemos, a preocupação central da lógica é descobrir se, em função do modo como certa teoria foi estruturada, não seria talvez possível que alguém chegasse a uma conclusão falsa a partir dela. Noutras palavras: &lt;b style=""&gt;o objeto central da lógica é a coerência das teorias científicas.&lt;/b&gt; Mais tarde veremos que nem todas as teorias científicas prestam-se a uma análise lógica, apenas algumas têm esse privilégio. As ciências humanas, por exemplo, de modo geral, não podem ser descritas ou avaliadas logicamente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Como dissemos, a investigação lógica começa assim que surge uma nova teoria científica. Como toda teoria afirma algo de alguma coisa, isto é, como toda teoria pretende nos convencer de algo, ou nos levar a concluir algo, o objeto da lógica são os &lt;i style=""&gt;argumentos&lt;/i&gt; dessas teorias. A lógica trabalha, pois, com argumentos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;E o que são argumentos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="text-indent: 18pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;Um argumento é uma tentativa de alguém de nos convencer de algo (falando ou escrevendo). Quando alguém quer nos convencer de alguma coisa, lança mão de &lt;span style=""&gt;argumentos&lt;/span&gt;. O objeto da lógica clássica, ou formal, consiste no estudo desse tipo de argumentos. É claro que podemos pensar em muitos tipos de argumentos como exemplo. Algum dia alguém explicará por que, em geral, os argumentos usados em textos introdutórios de lógica são tão bobos. Seja como for, é óbvio que fora dos textos didáticos os lógicos não ficam apenas estudando coisas como o clássico: “Se todos os homens são mortais e Sócrates é um homem, então Sócrates é mortal”. Esses exemplos repisados há dois mil anos não dão ao iniciante, obviamente, a menor idéia do que possam ser os argumentos realmente questionáveis por uma análise lógica. É evidente que no mundo real a pesquisa não se deterá sobre esse tipo de questões. Como dissemos, a lógica estuda, em geral, a coerência das teorias &lt;i style=""&gt;científicas&lt;/i&gt;. Na prática, os lógicos são, normalmente, também matemáticos, e procuram sempre criar inovações teóricas em teorias já constituídas ou descobrir possibilidades de erro em teorias novas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoBodyTextIndent" style="text-indent: 0cm;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style=""&gt;De que são feitos os argumentos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;No âmbito da lógica clássica, os argumentos são feitos de &lt;i&gt;proposições&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;quantificadores&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;conectivos lógicos&lt;/i&gt;. Veremos apenas o que significam as proposições, pois os quantificadores e os conectivos servem para encadear as proposições e dar a bendita &lt;i style=""&gt;forma&lt;/i&gt; aos argumentos. A propósito, o nome lógica &lt;i style=""&gt;formal&lt;/i&gt; vem daí: ela investiga a &lt;i style=""&gt;forma&lt;/i&gt;, a &lt;i style=""&gt;estrutura&lt;/i&gt; da argumentação, e não seu conteúdo.&lt;a style="" href="#_edn1" name="_ednref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Vejamos, então, o que é uma proposição. Uma &lt;i&gt;proposição&lt;/i&gt; é um tipo particular de &lt;i&gt;afirmação&lt;/i&gt;. Uma afirmação, como sabemos, é uma oração declarativa contendo sujeito, verbo e predicado: uma afirmação atribui um predicado (qualidade, atributo) a um determinado sujeito através de um verbo. Exemplo de afirmação: &lt;i&gt;o sol é amarelo&lt;/i&gt;. Nessa afirmação há um sujeito (o sol), um verbo (o verbo &lt;i style=""&gt;ser&lt;/i&gt;) e um predicado (ser amarelo). As proposições, objetos que constituem os argumentos, são tipos particulares de afirmações. Mais precisamente: as proposições são afirmações das quais podemos dizer, em determinado contexto, de maneira inequívoca, que são verdadeiras ou falsas (não podendo ser verdadeiras e falsas simultaneamente). Portanto, o exemplo de proposição que demos anteriormente é (num contexto amplo) verdadeiro, pois o sol é de fato amarelo (para a maioria dos mortais, ao menos).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Resumindo: proposições são afirmações que podem ser classificadas como verdadeiras ou falsas em determinado contexto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;E os tais princípios da lógica clássica?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Agora que sabemos mais ou menos em que a lógica clássica consiste podemos discutir os seus fundamentos, em geral mal compreendidos. É comum que os princípios da lógica sejam interpretados como leis que, em última análise, significariam a igualdade entre seres ou objetos. Assim, a lei ou o princípio de identidade é traduzido por Novack em seu livro como uma igualdade matemática (A = A), quando, na realidade, significa coisa completamente diferente&lt;a style="" href="#_edn2" name="_ednref2" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. Essa confusão teve início há uns dois mil anos, quando a lógica foi misturada com as concepções que os lógicos tinham dela. Ao não haver a devida dissociação entre o âmbito da lógica e o da epistemologia daquela época, muitos filósofos e historiadores foram levados a crer que a lógica fosse o mesmo que a &lt;i style=""&gt;ontologia&lt;a style="" href="#_edn3" name="_ednref3" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; de Aristóteles. Por inércia, a confusão reinou até o início do século XX. Ora, tudo o que Aristóteles possa ter dito sobre a significação de suas formulações lógicas pertence ao domínio da &lt;i style=""&gt;interpretação dos resultados&lt;/i&gt;, que não deve ser confundida com os resultados &lt;i style=""&gt;em si mesmos&lt;/i&gt;. Vejamos qual é a significação propriamente lógica desses princípios.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;O primeiro deles é o chamado &lt;i style=""&gt;Princípio de Identidade&lt;/i&gt; ou &lt;i style=""&gt;Lei da Identidade&lt;/i&gt;. Segundo a interpretação intuitiva usual, esse princípio teria a função de traduzir o fato incontestável de que uma dada coisa tende a permanecer igual a si mesma, ao menos sob determinadas condições. Assim, segundo essa interpretação, a lei de identidade serviria para que nos convencêssemos de que, por exemplo, uma xícara permanecerá sendo uma xícara, ao menos até que seja quebrada ou transformada em outra coisa. Essa é a interpretação &lt;i style=""&gt;vulgar&lt;/i&gt; da lei da identidade — interpretação que conduz a uma série de confusões e preconceitos. No terreno da lógica esse princípio pretende significar outra coisa. Já sabemos que os fenômenos reais não constituem o objeto da lógica. Vimos que a lógica lida com argumentos, que são feitos de proposições. Portanto, parece mais ou menos razoável supor que a lei da identidade deva se referir, na verdade, às proposições, e não ao conteúdo concreto delas. Assim, em vez de dizer que uma xícara é sempre igual a ela mesma, deveríamos dizer que &lt;b style=""&gt;uma dada afirmação sobre a xícara,&lt;/b&gt; em determinado contexto bem definido, &lt;b style=""&gt;significará sempre a mesma coisa,&lt;/b&gt; não podendo o sentido dessa afirmação mudar arbitrariamente &lt;b style=""&gt;se o contexto e as condições sob as quais a afirmação foi feita permanecerem os mesmos.&lt;/b&gt; Se isso acontecesse, não poderíamos determinar se a afirmação é verdadeira ou falsa, e não se trataria mais de uma proposição, logo, teríamos saído do âmbito da lógica. O leitor deve observar que ao fazer essa restrição sobre o sentido das afirmações, exigindo que eles permaneçam constantes, não estamos limitando de modo algum o alcance do pensamento ou da análise lógica, mas simplesmente definindo um critério de inteligibilidade, isto é, exigindo o mínimo grau de coerência necessário para que as afirmações e os argumentos possam ser de fato analisados.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;O segundo princípio, ou lei, é a &lt;i style=""&gt;Lei da não-contradição&lt;/i&gt;. Há várias formas de enunciá-la. A mais comum é a seguinte: dadas duas proposições, se uma delas for a negação da outra, uma das duas é falsa. Ao introduzir essa lei nos fundamentos da lógica, estamos excluindo as contradições de seu interior. Exemplo de contradição: &lt;i style=""&gt;o sol é amarelo e não é amarelo&lt;/i&gt;. Ou ainda:&lt;i style=""&gt; o número π é racional e irracional&lt;/i&gt;. Da mesma forma que no caso da lei da identidade, deveríamos supor que a lei da não-contradição refere-se apenas às proposições, e somente a elas, pois toda suposição a respeito da existência ou não de contradições no mundo real escapa do âmbito da lógica. Entretanto, essa delimitação no sentido, na significação da lei, esbarra em uma séria dificuldade: o princípio da não-contradição introduz o domínio das valorações&lt;a style="" href="#_edn4" name="_ednref4" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; nos fundamentos da lógica, isto é, ao admitir a não-contradição, estamos entrando no terreno das &lt;i style=""&gt;interpretações&lt;/i&gt;, do falso e do verdadeiro, ou seja, estamos aceitando de antemão que o &lt;i style=""&gt;conteúdo&lt;/i&gt; de alguma coisa, a própria realidade, deva fazer parte dos fundamentos da lógica! E isso contradiz, em certo sentido, o que dissemos anteriormente sobre o objeto da lógica. Se a lógica não lida com o &lt;i style=""&gt;conteúdo&lt;/i&gt; das teorias científicas, mas sim apenas com sua &lt;i style=""&gt;estrutura&lt;/i&gt;, com sua &lt;i style=""&gt;forma&lt;/i&gt;, por que introduzir em seus fundamentos distinções que só dizem respeito ao mundo real?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;A terceira e última lei da lógica clássica diz o seguinte: dadas duas proposições, se uma delas for a negação da outra, apenas uma das duas é verdadeira. Essa lei é um complemento da lei anterior. Resulta daí que uma proposição é verdadeira ou falsa, não havendo uma terceira possibilidade. Note-se que aqui também o domínio das valorações foi tomado como relevante e indispensável. Toda a lógica deveria, portanto, assentar-se sobre isto: verdadeiro ou falso, nada mais. A propósito, o nome da última lei vem dessa restrição sobre o valor-verdade de uma proposição. Como um possível terceiro valor-verdade fica excluído por lei, temos: &lt;i style=""&gt;Lei do terceiro excluído&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Limites da lógica clássica&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 27pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;De tudo o que vimos até aqui podemos concluir três coisas: a lógica é muito mais simples do que supõe o senso comum, seus objetivos são muito mais modestos, e, aparentemente, há alguma coisa errada com seus fundamentos. Entretanto, essas conclusões não nos autorizam a supor que o objeto da lógica sejam afirmações do tipo “A = A”, “uma coisa não pode ser diferente dela mesma”, ou, pior, indagações do gênero “2 + 2 = 4 (!?)”&lt;a style="" href="#_edn5" name="_ednref5" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; O fato de que os princípios da lógica sejam simples não quer dizer que ela não sirva para nada, ou que sirva apenas para a matemática. A lógica clássica permanece sendo a fonte de inúmeros progressos científicos, pois constitui uma ferramenta poderosíssima do pensamento, desde que a conheçamos bem e saibamos aplicá-la. Alguém colocaria em dúvida o alcance e o poder da mecânica clássica por serem as três leis de Newton, ao menos em certo sentido, banais? A lei da inércia, a lei da ação e reação e o chamado princípio fundamental da dinâmica nos parecem terrivelmente simples, e com eles os homens foram capazes de enviar missões tripuladas ao espaço. Por que acreditar que a simplicidade dos princípios da lógica pudesse transformá-la em “fonte de prejuízos lógicos”&lt;a style="" href="#_edn6" name="_ednref6" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;? Parte dessa suposição deve-se a simples preconceitos. Outra parte deve-se a um erro comum: tentar aplicar a lógica onde ela não se aplica. Uma pessoa que dissesse que um caminhão não serve para nada porque não é capaz de atravessar o Oceano Atlântico estaria sendo, no mínimo, injusta com o caminhão. Para atravessar o oceano convém usar um navio, ou um avião, ou um submarino… Cada ferramenta tem a sua finalidade e seu limite de aplicação. Dentro de seus limites e de sua finalidade, a lógica clássica continua sendo essencial, o mesmo que ocorre com a mecânica newtoniana.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;A limitação da lógica clássica, que existe de fato, não deve ser deduzida da tentativa de aplicá-la a domínios que não lhe dizem respeito. As limitações reais da lógica não foram constatadas na realidade, no mundo real, mas em seu próprio interior, a começar pelos seus fundamentos, que, como vimos, são meio problemáticos. A pesquisa dessas limitações, a tentativa de superá-las, deu origem às lógicas não-clássicas, dentre as quais a mais importante, ao menos do ponto de vista que nos interessa aqui, é a lógica paraconsistente. Antes de discuti-la, vejamos mais de perto a questão das relações entre a lógica clássica e as ciências humanas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Lógica e ciências humanas&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;As ciências humanas são normalmente compostas por teorias não-matemáticas (salvo as sociais aplicadas e alguns ramos da lingüística). Uma teoria não-matemática invariavelmente vai se referir aos objetos reais, concretos, tais como eles aparecem no mundo real, com pouca ou nenhuma representação conceitual autônoma (a representação não se dissocia por completo do objeto representado). Em tais casos, a lógica terá pouca ou nenhuma utilidade, pois o conteúdo das discussões estará relacionado a fenômenos cujas leis não têm o mesmo caráter que as leis dos fenômenos naturais, donde a dificuldade de extrair deles um aparato conceitual autônomo, que seria então o objeto da análise lógica. É por isso que a primeira tarefa do marxismo consiste precisamente em erradicar preconceitos teóricos, supostas “leis eternas”, do domínio da análise sociológica e histórica. Marx e Engels dizem, na &lt;i style=""&gt;Ideologia Alemã&lt;/i&gt;:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 70.8pt; text-align: justify; text-indent: 19.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Ali onde termina a especulação, na vida real, começa, portanto, a ciência real, positiva, a representação [teórica, conceitual] da atividade prática, do desenvolvimento prático [material] dos homens. Cessam as frases sobre a consciência, o saber real deve substituí-las. Com a representação da realidade [do mundo real tal como ele de fato se apresenta], a filosofia autônoma perde o seu meio de existência. Em seu lugar pode, quando muito, surgir um resumo dos resultados mais gerais que é possível abstrair da consideração do desenvolvimento histórico.&lt;i style=""&gt; Essas abstrações não têm, separadas da história real, o menor valor.&lt;/i&gt; Só podem servir para facilitar a ordenação do material histórico, para indicar a seqüência de cada um dos seus estratos. Mas não dão, de modo nenhum, como a filosofia, uma receita ou um esquema segundo o qual as épocas históricas possam ser ajeitadas ou ajustadas. A dificuldade começa, pelo contrário, precisamente quando passamos da consideração e ordenação do material, seja de uma época passada seja do presente, à representação real. A eliminação dessas dificuldades está condicionada por premissas que de modo nenhum podem ser dadas aqui, e que só resultarão claras do estudo do processo real da vida e da ação dos indivíduos de cada época.&lt;a style="" href="#_edn7" name="_ednref7" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Ao se referir a tais premissas, os pressupostos da investigação materialista da história, Marx e Engels dizem:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 70.8pt; text-align: justify; text-indent: 19.2pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Os pressupostos de que partimos não são arbitrários, nem constituem qualquer classe de dogmas, ao contrário, são premissas reais, das quais só se pode fazer abstração na imaginação. Esses pressupostos são &lt;i style=""&gt;os indivíduos reais, a sua ação e as suas condições materiais de vida&lt;/i&gt;, tanto as que encontraram estabelecidas como aquelas que produziram pela sua própria ação. Essas premissas são, portanto, verificáveis de um modo puramente empírico.&lt;a style="" href="#_edn8" name="_ednref8" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Esses princípios da análise sociológica e histórica, a investigação da realidade material dos indivíduos sem qualquer especulação, a análise dos fatos tais como eles se apresentam sem receitas absolutas ou fórmulas, contrastam notavelmente com a maneira de proceder das ciências naturais e exatas. Nelas, o investigador estuda os fenômenos munido de um aparato teórico-conceitual que lhe parece invariável e totalmente divorciado do mundo real. Essa diferença no modo de proceder é acentuada pela ideologia que se produz nas mentes dos cientistas decorrente do impacto causado pelo &lt;b style=""&gt;modo de exposição dos conhecimentos&lt;/b&gt; adotado pelas ciências exatas.&lt;a style="" href="#_edn9" name="_ednref9" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[9]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Newton descreveu a totalidade dos movimentos do mundo deduzindo-os de três premissas. O homem comum, ao se deparar com esse feito extraordinário, tem a impressão de que a natureza e seus movimentos derivam dessas leis! Isso conduz à suposição, que se transforma em ideologia, de que seria possível explicar os fenômenos sociais da mesma maneira, deduzindo-os de leis eternas, imutáveis. Marx diz: a ciência começa precisamente onde esse tipo de especulação acaba. Ora, isso demonstra que a análise lógica não se adapta aos fenômenos sociais, pois a representação conceitual deles, a sua realidade no plano teórico, deve se manter o mais próximo possível dos acontecimentos tais como eles verdadeiramente são. A análise lógica, ao contrário, exige uma separação completa entre a representação conceitual e o mundo real, de tal maneira que o conteúdo seja abolido, em benefício da forma, da estrutura da teoria. Quando isso acontece, opera-se a transformação decisiva: &lt;b style=""&gt;o critério de verdade se desloca do mundo real para o interior da teoria.&lt;/b&gt; Assim, por exemplo, numa teoria matemática sobre os fenômenos eletromagnéticos qualquer afirmação pode ser qualificada como verdadeira ou falsa com os critérios de verdade (matemáticos) da própria teoria, sem qualquer apelo ao mundo real. No caso das ciências humanas acontece o contrário: &lt;b style=""&gt;a veracidade das afirmações deverá ser constatada na realidade, na prática&lt;/b&gt; (daí a &lt;i style=""&gt;práxis&lt;/i&gt; do marxismo). Por isso, em tais casos, uma análise lógica seria inútil, pois o objeto da lógica é a coerência &lt;i style=""&gt;formal&lt;/i&gt; da teoria, não sua aplicabilidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Entretanto, se interrompêssemos o raciocínio aqui, estaríamos ocultando parte da verdade. Num determinado sentido específico, bem diferente do sentido dado pelo senso comum, a lógica clássica é, de fato, limitada. Como vimos, a pesquisa dessas limitações deu origem às lógicas não-clássicas. Agora que sabemos um pouco mais a respeito das relações entre a lógica tradicional e as ciências humanas, vejamos rapidamente o precursor das lógicas não-clássicas e o seu sistema filosófico: Hegel e a dialética.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;A dialética em Hegel&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;A obra de Hegel é considerada pelos marxistas como o ponto culminante do trabalho intelectual, científico e filosófico da época das revoluções burguesas. George Novack diz o seguinte a esse respeito:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 70.7pt; text-align: justify; text-indent: 19.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;A revolução na lógica feita por Hegel é parte desse colossal movimento revolucionário que transformou o mundo ocidental entre os séculos XVI e XIX e culminou com a substituição de todos os aspectos da vida social do feudalismo, e de outras formas e forças pré-capitalistas, pelo sistema burguês.&lt;a style="" href="#_edn10" name="_ednref10" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[10]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 70.7pt; text-align: justify; text-indent: 19.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 70.7pt; text-align: justify; text-indent: 19.3pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;O pensamento de Hegel e, especialmente, seu método dialético representam a consumação da filosofia clássica alemã e da grande filosofia grega da antiguidade. Foram a conseqüência teórica do progresso filosófico de quatro séculos da civilização ocidental. (...) Seu trabalho abrange e resume em forma teórica concisa os resultados de séculos de trabalho intelectual dos maiores pensadores.&lt;a style="" href="#_edn11" name="_ednref11" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[11]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 70.7pt; text-align: justify; text-indent: 19.3pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Não discutiremos aqui os detalhes sobre o sistema de Hegel, que é, aliás, minuciosamente descrito por Novack em seu livro. Para os nossos propósitos, é suficiente assinalar que Hegel foi um dos últimos pensadores a reunir a quase totalidade dos conhecimentos de sua época. É um fato que, ao menos no terreno da filosofia, das ciências humanas e da teoria do conhecimento, a dialética de Hegel foi talvez a primeira tentativa sistemática, séria, global, de substituir a filosofia clássica e tudo aquilo que se encontrava assentado na lógica de Aristóteles. Mas é também um fato que em Hegel a dialética se transforma em algo absoluto, uma espécie de chave-mestra capaz de explicar todos os fenômenos do mundo real. Ao considerar a dialética como um método de alcance universal, Hegel cedeu à tentação de sua época: encerrar toda a realidade no interior de seu sistema. A tal ponto que, para ele, a realidade derivava do sistema, e não o contrário. Atualmente, o conhecimento científico se desenvolveu tanto que ninguém acredita mais na possibilidade de construir uma nova filosofia da natureza, um sistema filosófico supracientífico em que todos os conhecimentos estariam contidos e convivendo &lt;st1:personname productid="em harmonia. Com Hegel" st="on"&gt;em harmonia. Com Hegel&lt;/st1:PersonName&gt; a filosofia chega ao fim, segundo a conhecida sentença de morte decretada contra ela por Engels.&lt;a style="" href="#_edn12" name="_ednref12" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[12]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Apesar do caráter especulativo e idealista de muitas de suas conclusões, havia no sistema de Hegel, segundo o que nos dizem os clássicos, um substrato racional, seu método, a dialética. Esse método, que ao menos em certo nível exigia a crítica e a superação da lógica clássica, o legado de dois mil anos do mundo antigo, foi aproveitado por Marx e Engels e encontra-se na base da dialética materialista. Bem, acontece, porém, que tudo isso são simples frases. Nem Marx e nem Engels puderam se dedicar a uma exposição sistemática sobre o seu “método lógico”. Engels escreveu três trabalhos sobre o assunto, o &lt;i style=""&gt;Anti-Dühring&lt;/i&gt;, &lt;i style=""&gt;Dialética da Natureza&lt;/i&gt; e o &lt;i style=""&gt;Ludwig Feuerbach&lt;/i&gt;..., mas nesses trabalhos encontramos, em geral, &lt;b style=""&gt;aplicações&lt;/b&gt; do “método dialético” a domínios específicos do conhecimento, e não o método propriamente dito. Marx disse certa vez que gostaria de ter a ocasião de resumir em três folhas de papel o que havia de racional no sistema de Hegel, e que essa teria sido uma das grandes contribuições de sua vida. Infelizmente, isso não aconteceu. Tudo o que sabemos sobre o método dialético são simples frases, uma espécie de “princípios gerais” que serviriam para nortear a investigação científica. Nesse sentido, aparentemente, o que havia de racional no sistema de Hegel era uma espécie de epistemologia; ou seja, a dialética de Hegel, em sua forma racional, como método lógico, é uma teoria do conhecimento, nada mais. Ora, mas uma teoria do conhecimento é algo radicalmente distinto de um método universal. Essa distinção nos parece importante porque, a nosso ver, os marxistas nem sempre vêem as coisas assim. Ainda hoje há muita gente que acredita que a dialética seja uma espécie de conhecimento ou de método universal capaz de explicar tudo, interpretar todos os tipos de fenômenos… Em resumo: a dialética seria a própria encarnação conceitual da racionalidade! O problema, entretanto, é que tais suposições são extremamente perigosas e, em geral, nocivas. Admitir a existência de um conhecimento universal supracientífico, que assumiria a forma de um método, é, em última análise, uma atitude anticientífica.&lt;a style="" href="#_edn13" name="_ednref13" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[13]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Para terminar essas observações, assinalemos de passagem que Hegel sabia que a lógica clássica possuía limitações intrínsecas, estava ciente de que em particular a não-contradição limitava drasticamente qualquer epistemologia que viesse a considerar a lógica como ferramenta essencial, pois, para Hegel, o mundo não apenas está permeado de contradições, como as contradições estão na base do movimento de todas as coisas. Mas essa visão, uma vez que se limitava ao terreno puramente especulativo, filosófico, embora fosse sem dúvida genial e constitua um marco histórico, não era ainda uma revolução &lt;i style=""&gt;no interior&lt;/i&gt; da lógica. Hegel desenvolve um sistema filosófico com uma lógica distinta da clássica, revogando os princípios dela, porém no plano da filosofia. Ou seja, o que Hegel fez foi antecipar filosoficamente os progressos e as revoluções que ocorreriam na lógica cem anos depois! Atualmente, podemos dizer que de fato a lógica clássica, tal como fora concebida por Aristóteles, foi superada. Mas essa superação não ocorreu no terreno especulativo da filosofia idealista, e sim no árido terreno da matemática. Devemos a realização desse trabalho ao matemático brasileiro Newton da Costa, criador da lógica paraconsistente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Newton da Costa&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 106.2pt; text-align: justify;"&gt;(...) o meu sonho, aliás sob certo aspecto eu sou meio frustrado, porque o meu grande sonho, muito maior do que fazer lógica e matemática, dadas as minhas concepções, que eu tinha, pessoais minhas, a respeito de compromisso com o contorno, tudo isso, era fazer uma revolução na América Latina, da Argentina ao México. Tanto que no México tem um grupo de filósofos lá, inclusive uma moça que se chama Lurdes Vladilia, eles me chamam “o Segundo Bolívar”, só que aquele Bolívar fez alguma coisa, eu não consegui fazer nada. (Risos.) Entre outras diferenças, essa. O meu sonho era isso: eu gostaria de, veja que inocência, como é que uma pessoa pode ser tão tonta, eu queria igualdade para todo mundo, queria fazer aqui um socialismo.&lt;a style="" href="#_edn14" name="_ednref14" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[14]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Newton da Costa nasceu em Curitiba, em 16 de setembro de 1929. Seu interesse pela lógica e pela matemática começou cedo, e foi fortemente influenciado pelo ambiente familiar. Por intermédio dos pais e de um tio que era professor de filosofia, entre os 15 e os 20 anos conhecia praticamente toda a obra filosófica de autores como Descartes, Quine, Bertrand Russell, Poincaré, Carnap, entre outros. Formou-se em engenharia civil e posteriormente em matemática pela Universidade Federal do Paraná. Aos 30 anos tornou-se livre-docente. Em 1964, então com 35 anos, defendeu uma tese para um concurso de cátedra, na mesma instituição, denominada &lt;i style=""&gt;Sistemas Formais Inconsistentes&lt;/i&gt;. A partir daí, graças à divulgação internacional de seu trabalho, tornou-se um dos maiores nomes da lógica de todo o mundo. Citaremos a seguir alguns de seus feitos, apenas para ilustrar a importância que seus trabalhos adquiriram:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 63pt; text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Na década de 50, publicou trabalhos que marcariam os rumos de algumas de suas investigações em lógica, notadamente no sentido das lógicas paraconsistentes… Trabalhou com o matemático francês Marcel Guillaume, da Universidade de Clermont-Ferrand, e orientou um pequeno grupo de professores e alunos que se interessavam por matemática, em especial pela lógica. Desse grupo, pontificou Ayda I. Arruda, que foi uma destacada pesquisadora no campo da lógica paraconsistente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 63pt; text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Na década de 60, foi professor visitante no Instituto Tecnológico de Aeronáutica, e do Instituto de Pesquisas Matemáticas da Universidade de São Paulo, transferindo-se para o Instituto de Matemática e Estatística desta mesma universidade, em 1970. No período 1968 – 1969, lecionou no recém criado IMECC da Unicamp e no Departamento de Filosofia desta universidade em 1982 e 1985. Praticamente todos os primeiros pesquisadores brasileiros em lógica foram seus orientados, ou receberam sua influência direta. (...).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 63pt; text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;No exterior, o Prof. da Costa foi conferencista, professor, professor visitante, “visiting scholar” ou pesquisador de um grande número de instituições, como por exemplo nas universidades de Paris, Montpellier, Varsóvia, Munique, Califórnia, Stanford, Buenos Aires, Católica do Chile, Nacional Autônoma do México, Lima, Santiago, Colômbia, Venezuela, Sidney, Melbourne, Turin, Florença, Milão, Nova Lisboa e Nacional do Uruguai, dentre outras. Além de orientar várias teses também no exterior, teve seus trabalhos traduzidos para o italiano, para o búlgaro, o russo e o chinês. Aliás, seus trabalhos em lógica paraconsistente estão sendo totalmente traduzidos para o chinês. Conhecem-se mais de 1000 citações de seus trabalhos; vários textos especializados dizem respeito de modo direto à sua obra, como o volume 43 (1989) de &lt;i style=""&gt;Studia Logica&lt;/i&gt;, inteiramente dedicado à lógica paraconsistente, ou o volume 94 das &lt;i style=""&gt;Lecture&lt;/i&gt; &lt;i style=""&gt;Notes in Pure and Applied Mathematics&lt;/i&gt;, editado pela Marcel Dekker em sua homenagem. Recentemente, o volume 7 do &lt;i style=""&gt;Journal of Non-Classical Logic&lt;/i&gt; (1990) foi também inteiramente dedicado às lógicas paraconsistentes. Na Bulgária foi criada, por iniciativa do Professor H. Smolenov, a &lt;i style=""&gt;Associação Internacional de Lógica Paraconsistente&lt;/i&gt;, cujo presidente é o Prof. da Costa e cujo presidente de honra é G. H. von Wright. Em 1989, foi indicado para membro titular do &lt;i style=""&gt;Institut International de Philosophie&lt;/i&gt;, de Paris; sua indicação foi acatada por unanimidade, fato este nunca antes ocorrido na história do &lt;i style=""&gt;Institut. &lt;/i&gt;Tornou-se assim o primeiro filósofo brasileiro a fazer parte desta renomada instituição. Em 1993, o Prof. da Costa recebeu o Prêmio Moinho Santista. (...).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 63pt; text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Os trabalhos do Prof. da Costa não se resumem à edificação da lógica paraconsistente. Ele se dedicou, em geral, aos seguintes domínios: (1) teoria dos números; (2) lógicas não-clássicas, bem como suas aplicações, por exemplo à informática; (3) fundamentos da teoria dos conjuntos e da teoria das categorias; (4) teoria dos modelos (teoria da verdade pragmática, teoria das valorações, etc.); (5) teoria dos reticulados e lógica algébrica; (6) lógica indutiva e probabilidade; (7) teoria da ciência; (8) história da lógica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 63pt; text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt;"&gt;Um campo em que o Prof. da Costa realizou pesquisas fundamentais (em colaboração com os lógicos chilenos I. Mikenberg e R. Chuaqui) consiste na teoria da verdade pragmática, que tem se mostrado de tanta relevância para a ciência quanto as lógicas paraconsistentes, especialmente após os seus trabalhos com o filósofo inglês S. French. Uma outra área em que tem recebido destaque nos últimos tempos, em colaboração com Francisco Antônio Dória, reside nos estudos acerca dos fundamentos da física, na qual suas técnicas (por exemplo estendendo os teoremas de incompletude de Gödel de modo a aplicá-los a certas formulações das teorias da física), permitiram responder questões relevantes nessas ciências, como solucionar o chamado &lt;i style=""&gt;problema de Hirsch&lt;/i&gt;, sobre se há um processo efetivo para se decidir se um sistema dinâmico é caótico (a resposta é negativa), dar um contra-exemplo à &lt;i style=""&gt;tese de Penrose&lt;/i&gt; de que a física clássica não oferece exemplos de fenômenos não computáveis, assim como aos &lt;i style=""&gt;problemas de Arno’l’d&lt;/i&gt;, em economia matemática, etc.&lt;a style="" href="#_edn15" name="_ednref15" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 11pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[15]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 63pt; text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Dissemos anteriormente que a superação da lógica clássica ocorrera no árido terreno da matemática, e que esse trabalho era devido a Newton da Costa. Agora que conhecemos um pouco da biografia dessa curiosa personalidade científica, incluindo seus sonhos e frustrações, vejamos o que é a lógica paraconsistente e o sentido atual da relação entre lógica e dialética.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Uma lógica com contradição&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Vimos que a lógica clássica, tal como fora sistematizada por Aristóteles, possuía certas limitações intrínsecas associadas aos seus fundamentos. Vimos também que essas limitações não deveriam ser deduzidas da tentativa de aplicá-la indistintamente ao mundo real ou a teorias científicas que não lhe dizem respeito. Faltou, portanto, indicar quais seriam essas limitações e como elas foram percebidas pelos lógicos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Um caso típico é o dos chamados &lt;i style=""&gt;paradoxos&lt;/i&gt;. Considere a seguinte afirmação:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;— Esta sentença não é verdadeira.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Bem, se a sentença for mesmo falsa, então ela é verdadeira. Por outro lado, se ela for verdadeira, é falsa. O leitor deve refletir atentamente sobre isso, pois a situação é realmente dramática! Em qualquer uma das interpretações da sentença acima, resulta que ela é falsa se for considerada verdadeira, e verdadeira se for considerada falsa! Ou seja, o verdadeiro e o falso são aqui equivalentes!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Paradoxos como esses são conhecidos há muito tempo, desde a época de Aristóteles. Durante séculos os matemáticos e lógicos debateram-se com esses problemas, tentando criar meios de bani-los do interior da lógica. O fato, porém, é que os paradoxos seguiram causando perplexidade até fins do século XIX, quando um esforço concentrado de grandes pensadores deu origem a um movimento científico que visava sistematizar melhor a lógica e as teorias matemáticas de tal maneira que os paradoxos pudessem ser “contornados”. Mas “contornar” os paradoxos não era o mesmo que acabar com eles. As contradições permaneciam existindo, por mais artifícios que os matemáticos usassem para escondê-las debaixo do tapete. Foi então que surgiram as lógicas não-clássicas, onde alguns paradoxos deixam de sê-lo em função de um relaxamento dos princípios demasiado severos da lógica tradicional.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;As lógicas não-clássicas mais conhecidas são as seguintes: as polivalentes, onde uma proposição pode ter mais de um valor-verdade; a lógica intuicionista, que restringe a aplicação da lei do terceiro excluído; e a lógica paraconsistente, que revoga a lei da não-contradição.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Dentre todas elas, a lógica paraconsistente é a única que supera completamente a lógica clássica, no sentido usual dado pelo marxismo para a expressão “superar”. Isto é, a lógica clássica é, de fato, matemática e logicamente, apenas um caso particular das lógicas paraconsistentes. Para entender o sentido dessa expressão “caso particular”, voltando à analogia que fizemos com o caminhão, se a lógica clássica puder ser interpretada como um caminhão, a lógica paraconsistente seria um Antonov 225, um avião que pode carregar alguns caminhões em seu interior.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style=""&gt;Inconsistência e trivialidade&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Até pouco tempo acreditava-se que todo sistema lógico em que pudéssemos obter uma contradição era obrigatoriamente &lt;i style=""&gt;trivial&lt;/i&gt;, isto é, se em dada teoria científica (amparada numa certa lógica) fosse obtida uma contradição, então seria possível obter qualquer coisa dessa teoria, inclusive afirmações inúteis. Um sistema que comportasse em seu interior afirmações contraditórias era dito &lt;i style=""&gt;inconsistente&lt;/i&gt;. Havia um conhecido teorema lógico que mostrava que todo sistema inconsistente era obrigatoriamente trivial. Dito de maneira informal, isto significava que onde há contradições pode haver qualquer coisa, tanto coisa útil quanto coisa inútil, ou seja, se derivarmos uma contradição de uma teoria qualquer, poderemos derivar qualquer coisa dela. É mais ou menos evidente que uma teoria que afirma qualquer coisa não pode ter muita utilidade, e também não pode oferecer muitas garantias a respeito do valor de suas afirmações particulares.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Este fato, a &lt;i style=""&gt;trivialidade &lt;/i&gt;dos sistemas inconsistentes era, a título de exemplo, o centro da crítica de Karl Popper à dialética. Popper afirmava que a dialética não podia existir como sistema, ou mesmo como método, porque se ela admitia contradições em seu interior, era inconsistente, e, portanto, trivial. Ora, se a dialética era trivial, então todas as teorias que se assentavam nela, como método lógico, também o seriam. Logo, o marxismo seria trivial, ou seja, no marxismo seria possível dizer qualquer coisa, explicar tudo, donde a sua aparente inutilidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;A lógica paraconsistente acabou com isso. Newton da Costa desenvolveu sistemas lógicos inconsistentes, que admitem contradições, mas que não são triviais, isto é, onde não é possível deduzir qualquer coisa. Isso mostra, em particular, que o argumento usado por Popper contra a dialética era inválido, pois não é verdade que todos os sistemas inconsistentes são triviais.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Mas as implicações epistemológicas e filosóficas decorrentes da “paraconsistência” não terminam aí. Na realidade, a conclusão epistemológica mais significativa é precisamente o fato de que as contradições tenham sido reabilitadas no interior da lógica, pois isso significa uma espécie de renascimento da dialética, porém sob uma forma matemática, científica, e não especulativa tal como aparecia &lt;st1:personname productid="em Hegel. Ao" st="on"&gt;em Hegel. Ao&lt;/st1:PersonName&gt; mesmo tempo, o fato de que a não-contradição possa ter sido revogada sem que isso causasse maiores problemas leva-nos a refletir sobre a obrigatoriedade desse princípio e sobre a natureza das contradições.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Esses resultados assombrosos, que marcam época na história da ciência, não são, contudo, fortuitos. Newton da Costa possuía fortes motivações filosóficas, dentre elas a seguinte:&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="margin-left: 45pt; text-align: justify;"&gt;Estabelecer técnicas lógico-formais capazes de permitir uma melhor compreensão das estruturas lógicas subjacentes às concepções dos partidários da dialética, como Heráclito, Hegel, Marx, Engels e Lenin.&lt;a style="" href="#_edn16" name="_ednref16" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[16]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Ora, temos aqui um pensador que não ignora a dialética e o marxismo, uma boa razão para que os marxistas não o ignorem. Essas motivações filosóficas não são, contudo, a origem real, técnica, da lógica paraconsistente, pois os sistemas de Newton da Costa surgiram em decorrência da investigação de problemas matemáticos específicos recorrentes na teoria dos conjuntos, como os paradoxos descobertos nesse domínio por Bertrand Russell. Entretanto, a motivação filosófica não é secundária, pois sem Hegel, sem Marx e sem Engels, ninguém teria imaginado a possibilidade de introduzir contradições num sistema lógico e considerar esse fato como positivo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Com o passar dos anos, porém, Newton da Costa abandonou a pesquisa referente a essas motivações filosóficas inicias. Numa entrevista cedida à Folha de São Paulo&lt;a style="" href="#_edn17" name="_ednref17" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[17]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, chegou mesmo a afirmar que à medida que se tornava mais velho e mais “inteligente”, deixava de lado essas preocupações, caracterizadas implicitamente como bobagens ou tolices. Essa renúncia parece-nos, todavia, mais uma forma de evitar polêmicas ideológicas inúteis com jornalistas e com a comunidade acadêmica do que uma posição sincera a respeito das possibilidades que o futuro reserva para a lógica paraconsistente. Seja como for, seria inútil comparar uma lógica, por mais rica e complexa que seja, com uma concepção de mundo, ou com um sistema filosófico global, como era o Idealismo Absoluto de Hegel. Uma lógica, qualquer que seja, é, antes de tudo, uma ferramenta do conhecimento, mas não deve ser confundida com os próprios conhecimentos ou mesmo com as concepções que temos deles. O mesmo erro de que acusamos os partidários de Aristóteles, o de misturar o conteúdo racional estritamente científico da lógica clássica com a ontologia, com a filosofia de Aristóteles, poderia ser atribuído a nós se passássemos a confundir as lógicas paraconsistentes com noções filosóficas ou epistemológicas, mesmo que supostamente “mais lógicas e mais científicas”, como seria a dialética em oposição a outros sistemas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 18pt;"&gt;Para os marxistas, não se trata de maneira alguma de “endeusar” este ou aquele cientista, esta ou aquela descoberta científica, mas apenas de levá-las em conta para que tenhamos uma visão tão apurada quanto possível do desenvolvimento atual da ciência. Não se trata agora de estudar lógica ou matemática para que nos coloquemos à altura de um Newton da Costa, mas, pelo contrário, de conhecer apenas o essencial desses domínios para que estejamos mais bem preparados para triunfar na missão &lt;st1:personname productid="em que Newton" st="on"&gt;em que Newton&lt;/st1:PersonName&gt; da Costa acreditava ter falhado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 18pt;" align="right"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 18pt;" align="right"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 18pt;" align="right"&gt;José Luís dos Santos&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 18pt;" align="right"&gt;São Paulo, dezembro de 2007&lt;/p&gt;  &lt;div style=""&gt;&lt;!--[if !supportEndnotes]--&gt;&lt;br /&gt;  &lt;hr align="left" size="1" width="33%"&gt;  &lt;!--[endif]--&gt;  &lt;div style="" id="edn1"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref1" name="_edn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Para quem se interessar em aprender lógica de verdade, há um excelente livro introdutório em português chamado &lt;i style=""&gt;Introdução à Lógica&lt;/i&gt;, escrito pelo professor Cezar Mortari, da Universidade Federal de Santa Catarina, instituição que se tornou há pouco tempo o reduto de um seleto grupo de lógicos brasileiros.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn2"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref2" name="_edn2" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; A interpretação que damos aqui da lei de identidade é de índole pragmática.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn3"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref3" name="_edn3" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; A ontologia é o estudo do &lt;i style=""&gt;ser&lt;/i&gt;, um assunto filosófico bastante espinhoso.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn4"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref4" name="_edn4" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;i style=""&gt;Valoração&lt;/i&gt; significa estabelecer o &lt;i style=""&gt;valor-verdade&lt;/i&gt; de uma proposição, isto é, dizer se a proposição é verdadeira ou falsa.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn5"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref5" name="_edn5" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Essa curiosa interrogação aparece na capa da edição brasileira do livro de George Novack. O leitor há de convir que nenhum progresso científico pode ser realizado se essa afirmação basilar, fundamental, estratégica, for questionada. De nossa parte, declaramo-nos partidários do “sim”, e estamos dispostos a construir uma fração para defender intransigentemente esse ponto de vista contra toda e qualquer forma de revisionismo.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn6"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref6" name="_edn6" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Novack, G.: &lt;i style=""&gt;Introdução à lógica&lt;/i&gt; (Edição brasileira, Belém, 1993), p. 17&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn7"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref7" name="_edn7" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Disponível em &lt;a href="http://www.marxists.org/"&gt;www.marxists.org&lt;/a&gt;. As passagens entre colchetes e o destaque são de nossa autoria. &lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn8"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref8" name="_edn8" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Idem.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn9"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref9" name="_edn9" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[9]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; É necessário distinguir sempre o &lt;i style=""&gt;modo de exposição&lt;/i&gt; ou a &lt;i style=""&gt;organização dos conhecimentos&lt;/i&gt; dos conhecimentos propriamente ditos.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn10"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref10" name="_edn10" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[10]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Novack, G.: &lt;i style=""&gt;Introdução à lógica&lt;/i&gt; (Edição brasileira, Belém, 1993), p. 32&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn11"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref11" name="_edn11" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[11]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Idem, p. 40&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn12"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref12" name="_edn12" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[12]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; “Em geral, com Hegel termina toda a filosofia; por um lado, porque em seu sistema se resume do modo mais grandioso toda a trajetória filosófica; e, por outro, porque este filósofo nos traça o caminho para sair desse labirinto dos sistemas filosóficos em direção ao &lt;i style=""&gt;conhecimento positivo e real do mundo&lt;/i&gt;.” Engels, &lt;i style=""&gt;Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã&lt;/i&gt;. Disponível em &lt;a href="http://www.marxists.org/"&gt;www.marxists.org&lt;/a&gt;. (Grifos nossos.)&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn13"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref13" name="_edn13" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[13]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; A esse respeito, seguindo o exemplo de Nahuel Moreno, que não ignorava a epistemologia, vale a pena conferir a opinião de Piaget: “A filosofia [incluindo aqui Hegel ou mesmo o materialismo dialético] teria cem vezes razão se reservasse para si os territórios aonde a ciência não vai, não quer ir, não pode ir no momento. Mas nada a autoriza a crer que seus processos estão guardados &lt;i style=""&gt;in aeternum&lt;/i&gt;. E ela não está em condições de provar que seus problemas são por natureza diferentes dos que a razão científica se propõe a abordar. A ciência não visa senão à &lt;i style=""&gt;aparência&lt;/i&gt;? Mas, segundo a fórmula bem conhecida, de todos os caminhos que conduzem ao Ser, o &lt;i style=""&gt;parecer&lt;/i&gt; talvez seja ainda o mais seguro. Quanto a marcar os limites atuais do saber científico, não é tarefa do próprio pensamento científico? Nenhum filósofo faria, sem dúvida, das ignorâncias e das impotências da ciência uma lista tão longa e tão severa quanto a que um sábio [um cientista sábio] seria capaz de preparar.” Piaget, J.: &lt;i style=""&gt;Sabedoria e Ilusões da Filosofia. &lt;/i&gt;Coleção &lt;i style=""&gt;Os Pensadores &lt;/i&gt;(Editora Abril, 1983), p. 149. O conteúdo dos colchetes é de nossa autoria.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn14"&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref14" name="_edn14" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[14]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 10pt;"&gt; Transcrição da entrevista cedida ao Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da Unicamp. Disponível em http://www.cle.unicamp.br/arquivoshistoricos/av_depoimentos_historal.html&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn15"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref15" name="_edn15" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[15]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Extraído da apresentação feita pelo professor Décio Krause à edição em livro (de 1993) da tese &lt;i style=""&gt;Sistemas Formais Inconsistentes, &lt;/i&gt;publicada pela Editora da UFPR.&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn16"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref16" name="_edn16" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[16]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Costa, N. C. A. da. &lt;i style=""&gt;Ensaio sobre os fundamentos da lógica&lt;/i&gt; (Hucitec, Editora da Universidade de São Paulo, 1980), p. 149&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;div style="" id="edn17"&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;&lt;a style="" href="#_ednref17" name="_edn17" title=""&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;!--[if !supportFootnotes]--&gt;&lt;span class="MsoEndnoteReference"&gt;&lt;span style="font-size: 10pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;[17]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Disponível em&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoEndnoteText"&gt;http://almanaque.folha.uol.com.br/entrevista_filosofia_newton_da_costa.htm&lt;/p&gt;  &lt;/div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8359710020672334042-8421549372980435999?l=esperancadeliberdade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esperancadeliberdade.blogspot.com/feeds/8421549372980435999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8359710020672334042&amp;postID=8421549372980435999' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8359710020672334042/posts/default/8421549372980435999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8359710020672334042/posts/default/8421549372980435999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esperancadeliberdade.blogspot.com/2007/12/lgica-dialtica-luz-do-desenvolvimento.html' title=''/><author><name>Joffe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13917171670585960114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8359710020672334042.post-357722137598923980</id><published>2007-11-23T05:53:00.000-08:00</published><updated>2007-11-23T05:54:26.552-08:00</updated><title type='text'>Minha avó não era macaca (versão final corrigida)</title><content type='html'>Com essa célebre declaração, um professor do Estado do Rio de Janeiro resumia, há 3 anos, o conteúdo de sua argumentação favorável ao criacionismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não sabe, o criacionismo é a versão da religião cristã para a origem e evolução da vida na Terra. Consiste basicamente em interpretações literais ou arredondadas do "Gênesis": aquela história sobre as costelas de Adão, imagem e semelhança, Arca de Noé, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que o próprio Anthony Garotinho, que na época era Secretário de Segurança Pública, e a então governadora Rosinha Matheus, ambos adeptos do criacionismo, teriam repetido essa frase à imprensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se o criacionismo está sendo de fato "ensinado" nas escolas do norte do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o simples fato de que autoridades do Estado tenham repetido tais afirmações para justificar a reintrodução do ensino religioso nas escolas públicas é uma mostra do quanto o Brasil pode ainda decair em termos de cultura, ciência e conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje foi divulgada a notícia de que os escorpiões marinhos de 390 milhões de anos atrás eram maiores do que os seres humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é curioso que tenham existido tantos animais fantásticos que desapareceram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida tem aproximadamente 4 bilhões de anos (3,5 bilhões, mais precisamente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando observamos os experimentos bem sucedidos da vida, temos a impressão de que deve haver alguma inteligência por trás deles. Afinal, os homens criam mecanismos complexos como os relógios. Logo, alguém deve ter criado um mecanismo tão complexo como uma bactéria, ou um vírus, ou uma esponja, ou um ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senso comum é incapaz de aceitar que a vida tenha evoluído de formas simples até formas mais complexas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte dessa incapacidade deve-se a uma ilusão dos sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece simplesmente que não somos capazes de entender o significado de "4 bilhões de anos". A nossa intuição capta apenas a significação do "4" e da palavra "ano".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se ter uma idéia do que significam 4 bilhões de anos, pensemos o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma hora existem 3.600 segundos. Num dia, há 24 horas. Logo, em um dia existem 24 x 3.600 segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como em um ano há 365 dias, resulta que em um ano existem 365 x 24 x 3.600 segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Em vez de 4 bilhões de anos, pensemos em 4 bilhões de segundos. É uma redução drástica, colossal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vamos começar a contar: 1, 2, 3, 4, 5, etc. Cada segundo representa um ano. Vamos contar até 4 bilhões. Podemos até usar um computador para fazer a contagem e emitir um som a cada segundo para facilitar as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto tempo levaríamos para contar 4 bilhões de segundos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais de um século.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seriam necessários 126 anos para contar até 4 bilhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora voltemos aos anos. São 4 bilhões de anos, não 4 bilhões de segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a idade da vida, a vida que os seres humanos estão destruindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada animal, cada planta, cada bactéria, cada um dos microorganismos que habitam esse planeta é o resultado de 4 bilhões de anos de experimentos, de uma luta incessante pela autopreservação, pela sobrevivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Centenas de milhares desses experimentos vitais, milhões deles, extinguiram-se, pois não eram suficientemente adaptados, ou foram vítimas de catástrofes ambientais, ou de grandes alterações em seus ecossistemas. Desapareceram, por exemplo, os trilobitas, os escorpiões marinhos gigantes, os tigres dente-de-sabre, os dinossauros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida fez muitas experiências que fracassaram, deixaram de existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os organismos vivos que conhecemos hoje são os vencedores dessa batalha de bilhões de anos pela sobrevivência. São criaturas extraordinariamente bem adaptadas e complexas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as observamos, temos a impressão de que alguma inteligência superior deu origem a elas espontaneamente, num "faça-se a luz" ou coisa parecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso é apenas ilusão, crenças populares, religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história da vida é infinitamente mais bela do que as lendas que os hebreus relataram na Bíblia. A história real da vida é mais bela e complexa do que qualquer um dos relatos ideológicos ou religiosos de que temos notícias, sejam hindus, budistas, cristãos, muçulmanos, judaicos, tupis-guaranis, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É precisamente essa herança de 4 bilhões de anos que está ameaçada pela destruição de ecossistemas inteiros, que serão transformados, a título de exemplo, em plantações de cana-de-açúcar para a produção de etanol. Cem anos depois do advento da física moderna, que abriu as portas para o domínio da energia nuclear, os homens voltarão ao monocultivo da cana-de-açúcar, dada a ganância das indústrias de automóveis com motores de combustão interna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A organização (ou desorganização) social do homem está extinguindo gradualmente as condições naturais que permitiram o surgimento da vida no planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se observa o espaço à nossa volta, os planetas de nosso sistema solar, como Vênus, com sua atmosfera de gases tóxicos e ácido sulfúrico, temos a impressão de que a Terra é de fato um paraíso, uma fascinante explosão de vida e beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É precisamente esse paraíso azul que está sendo destruído pela irracionalidade de um sistema sócio-econômico condenado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As trevas do obscurantismo se transformarão em breve em realidade. A vida deverá lutar novamente pela existência. Os defensores da ignorância e da escuridão gritarão que seus antepassados não eram macacos, mas os seres humanos que sobreviverem às condições ambientais e climáticas criadas pela destruição da atmosfera se parecerão muito pouco, no futuro, com os atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se deve descartar a hipótese de que surjam variedades mutantes adaptadas a uma atmosfera de dióxido de carbono e sem a proteção da camada de ozônio, que talvez voltem a habitar os pólos, fugindo do inferno equatorial, vivendo pouco tempo nessas regiões mais frias antes do derretimento completo das calotas polares. Então, quando o mar cobrir as faixas litorâneas em que se situam as grandes cidades dos nossos dias, os homens subirão os cumes das montanhas, e, quem sabe, voltarão ao topo das árvores. Lá, ao lado dos símios dos quais se separaram há centenas de milhares de anos, lutarão para conseguir alimento e sobreviver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terá sido uma longa jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente vã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;Zé Luís&lt;br /&gt;São Paulo, 23 de novembro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Luís do Santos, 31, é jornalista (desempregado).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8359710020672334042-357722137598923980?l=esperancadeliberdade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esperancadeliberdade.blogspot.com/feeds/357722137598923980/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8359710020672334042&amp;postID=357722137598923980' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8359710020672334042/posts/default/357722137598923980'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8359710020672334042/posts/default/357722137598923980'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esperancadeliberdade.blogspot.com/2007/11/minha-av-no-era-macaca-verso-final.html' title='Minha avó não era macaca (versão final corrigida)'/><author><name>Joffe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13917171670585960114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8359710020672334042.post-2740350017688707772</id><published>2007-11-22T06:16:00.000-08:00</published><updated>2007-11-22T06:56:20.772-08:00</updated><title type='text'>Minha avó não era macaca</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com essa célebre declaração, um professor do Estado do Rio de Janeiro resumia, há 3 anos, o conteúdo de sua argumentação favorável ao criacionismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem não sabe, o criacionismo é a versão da religião cristã para a origem e evolução da vida na terra. Consiste basicamente em interpretações literais ou arredondadas do "Gênesis": aquela história sobre as costelas de Adão, imagem e semelhança, Arca de Noé, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que o próprio Anthony Garotinho, que na época era Secretário de Segurança Pública, e a então governadora Rosinha Matheus, ambos adeptos do criacionismo, teriam repetido essa frase à imprensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se o criacionismo está sendo de fato "ensinado" nas escolas do norte do Rio de Janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o simples fato de que autoridades do Estado tenham repetido tais afirmações para justificar a reintrodução do ensino religioso nas escolas públicas é uma mostra do quanto o Brasil pode ainda decair em termos de cultura, ciência e conhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje foi divulgada a notícia de que os escorpiões marinhos de 390 milhões de anos atrás eram maiores do que os seres humanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é curioso que tenham existido tantos animais fantásticos que desapareceram?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida tem aproximadamente 4 bilhões de anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando observamos os experimentos bem sucedidos da vida, temos a impressão de que deve haver alguma inteligência por trás deles. Afinal, os homens criam mecanismos complexos como os relógios. Logo, alguém deve ter criado um mecanismo tão complexo como uma bactéria, ou um vírus, ou uma esponja, ou um ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senso comum é incapaz de aceitar que a vida tenha evoluído de formas simples até formas mais complexas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parte dessa incapacidade deve-se a uma ilusão dos "sentidos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece simplesmente que não somos capazes de entender o significado de "4 bilhões de anos". A nossa intuição capta apenas a significação do "4" e da palavra "ano".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se ter uma idéia do que significam 4 bilhões de anos, pensemos o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma hora existem 3.600 segundos. Num dia, há 24 horas. Logo, em um dia existem 24 x 3.600 segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como em um ano há 365 dias, resulta que em um ano existem 365 x 24 x 3.600 segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem. Em vez de 4 bilhões de anos, pensemos em 4 bilhões de segundos. É uma redução drástica, colossal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora vamos começar a contar: 1, 2, 3, 4, 5, etc. Cada segundo representa um ano. Vamos contar até 4 bilhões. Podemos até usar um computador para fazer a contagem e emitir um som a cada segundo para facilitar as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto tempo levaríamos para contar 4 bilhões de segundos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais de um século.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seriam necessários 126 anos para contar até 4 bilhões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora voltemos aos anos. São 4 bilhões de anos, não 4 bilhões de segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa é a idade da vida, a vida que os seres humanos estão destruindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada animal, cada planta, cada bactéria, cada um dos microorganismos que habitam esse planeta é o resultado de 4 bilhões de anos de experimentos, a maior parte deles fracassados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Centenas de milhares desses experimentos, milhões deles, extinguiram-se, pois não eram suficientemente adaptados. Desapareceram, por exemplo, os trilobitas, os escorpiões marinhos gigantes, os tigres dente-de-sabre, os dinossauros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida fez muitas experiências fracassadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os organismos vivos que conhecemos hoje são os vencedores dessa longa jornada. São criaturas extraordinariamente bem adaptadas e complexas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando as observamos, temos a impressão de que alguma inteligência superior deu origem a elas espontaneamente, num "faça-se a luz" ou coisa parecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas isso é apenas ilusão, crenças populares, religião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história da vida é infinitamente mais bela do que as lendas que os hebreus relataram na Bíblia. A história real da vida é mais bela e complexa do que qualquer um dos relatos ideológicos ou religiosos de que temos notícias, sejam hindus, budistas, cristãos, muçulmanos, judaicos, tupis-guaranis, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É precisamente essa herança de 4 bilhões de anos que está ameaçada pela destruição de ecossistemas inteiros, que serão transformados em plantações de cana-de-açúcar para a produção de biodiesel. Cem anos depois do advento da física moderna, que abriu as portas para o domínio da energia nuclear, os homens voltarão ao monocultivo da cana-de-açúcar, dada a ganância das indústrias de automóveis com motores de combustão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A organização (ou desorganização) social do homem está extinguindo gradualmente as condições naturais que permitiram o surgimento da vida no planeta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se observa o espaço à nossa volta, os planetas de nosso sistemas solar, com suas atmosferas de gases tóxicos e ácido sulfúrico, temos a impressão de que a Terra é de fato um paraíso, uma fascinante explosão de vida e beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É precisamente esse paraíso azul que está sendo destruído pela irracionalidade de um sistema sócio-econômico condenado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As trevas do obscurantismo se transformarão em breve em realidade. A vida deverá lutar novamente pela existência. Os defensores da ignorância e da escuridão gritarão que seus antepassados não eram macacos, mas os seres humanos que sobreviverem às condições ambientais e climáticas criadas pela destruição da atmosfera se parecerão muito pouco com os atuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se deve descartar a hipótese de que surjam variedades mutantes adaptadas a uma atmosfera de dióxido de carbono e sem a proteção da camada de ozônio, que talvez voltem a habitar os pólos, fugindo do inferno equatorial, vivendo pouco tempo nessas regiões mais frias antes do derretimento completo das calotas polares. Então, quando o mar cobrir as faixas litorâneas em que se situam as grandes cidades dos nossos dias, os homens subirão os cumes das montanhas, e, quem sabe, voltarão ao topo das árvores. Lá, ao lado dos símios dos quais se separaram há milhões de anos, lutarão para conseguir alimento e sobreviver entre as árvores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terá sido uma longa jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente vã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé Luís&lt;br /&gt;São Paulo, 22 de novembro de 2007.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(José Luís do Santos é jornalista desempregado.)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8359710020672334042-2740350017688707772?l=esperancadeliberdade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esperancadeliberdade.blogspot.com/feeds/2740350017688707772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8359710020672334042&amp;postID=2740350017688707772' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8359710020672334042/posts/default/2740350017688707772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8359710020672334042/posts/default/2740350017688707772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esperancadeliberdade.blogspot.com/2007/11/minha-av-no-era-macaca.html' title='Minha avó não era macaca'/><author><name>Joffe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13917171670585960114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8359710020672334042.post-4003241316008556565</id><published>2007-10-29T11:27:00.000-07:00</published><updated>2007-10-29T12:15:35.488-07:00</updated><title type='text'>A Sociologia do Capitão Nascimento</title><content type='html'>A "Sociologia do Capitão Nascimento", nova ideologia policial encomendada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, repousa em três pressupostos fundamentais:&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;1) O narcotráfico é a principal causa da violência no Rio;&lt;br /&gt;2) Há uma guerra em curso, no Rio, contra o narcotráfico;&lt;br /&gt;3) Numa guerra, todos os meios são válidos, principalmente a tortura e a execução sumária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tropa de Elite" é uma exposição didático-popular da Sociologia do Capitão Nascimento, cujo objetivo é tornar aceitáveis para as classes médias do país, a massa consumidora que constitui a chamada "opinião pública", os pressupostos 2 e 3.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tornando-os aceitáveis, as conclusões da Sociologia do Capitão Nascimento parecerão justas e corretas. Quem admitir que a polícia do Rio está em guerra com os traficantes, admitirá também a tortura e a execução sumária como métodos válidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como os brasileiros são, em geral, partidários da política de "Guerra ao Terror" de George Bush, é natural que se sintam inclinados a apoiar a política de "Guerra ao Tráfico na Favela" implementada pelos empregados pobres do governo dos EUA no terceiro mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto à veracidade dos fundamentos dessa nova doutrina policial, percebe-se de imediato o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;i   - O primeiro pressuposto é discutível;&lt;br /&gt;ii  - O segundo é falso;&lt;br /&gt;iii - O terceiro é discutível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É dessa ambigüidade das bases da doutrina, além é claro do apelo dramático obtido com a exposição cinematográfica, que decorre a aceitação passiva dela por parte da opinião pública.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enunciada sem o filme, sem o apoio incondicional da mídia, a Sociologia do Capitão Nascimento não passa de uma típica asneira proveniente das mentalidades apodrecidas e corruptas que governam o país. Entretanto, com o apoio do Wagner Moura e do Padilha, com o eco da Veja e de milhões de distantes espectadores, que conhecem a suposta "Guerra do Rio de Janeiro" apenas pelo Jornal Nacional, a doutrina adquiriu numerosos seguidores. &lt;script&gt;&lt;!-- D(["mb","\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Como toda ideologia encomendada pelo Estado, a Sociologia do Capitão Nascimento visa justificar uma política injustificável.\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Há\nmuito tempo a situação do Rio saiu do controle. Os traficantes e as\nmilícias privadas (formadas por ex-policias, bandidos e oficiais de\ncarreira) governam dezenas ou mesmo centenas de favelas. O Estado\nperdeu o controle de porções imensas da capital. Milhões de seres\nhumanos vivem sob o regime despótico e insano do crime organizado. Isso\nnão quer dizer, naturalmente, que os bairros da capital que ainda\nrecebem alguma assistência do Estado não estejam também sob um regime\nigualmente bestial e despótico. Significa apenas que há dois tipos de\npoderes no Rio de Janeiro dos nossos dias:\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;1. O poder dos traficantes e das milícias privadas;\u003cbr\&gt;2. O poder do Estado.\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Esses\ndois poderes estão em conflito. Não porque se odeiem mutuamente, mas\nporque o poder do crime organizado comete muitos excessos. É\ndesagradável mesmo para a burguesia do Rio (que nutre desejos nada\nsecretos de promover uma limpeza étnico-social com o extermínio em\nmassa dos favelados) ver nos noticiários estrangeiros pessoas sendo\nqueimadas vivas em coletivos. Quando esses excessos são cometidos na\nfavela, tudo bem, não tem importância. Quando pessoas são\nesquartejadas, mutiladas, torturadas ou queimadas vivas na favela, não\nhá problema. A burguesia não está nem aí. Mas quando a notícia sai no\nTimes ou no Le Monde, ela sente uma espécie de mal estar. Não pelas\nvítimas ou pelas atrocidades em si, mas porque as ações de suas\ncompanhias aéreas na bolsa começam a cair. A indústria do turismo sofre\nem demasia com os excessos praticados pelos narcotraficantes. A morte\nde um João Hélio ou mesmo a de um pobre como o Jorge Cauã, quando é\ndivulgada na Europa ou nos EUA, causa perdas significativas para os\npoderosos donos das agências de viagens, redes de hotelaria e turismo.\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Mas é claro que o Governador do Estado do Rio de Janeiro e seu\nSecretário de Segurança Pública não estão nem um pouco preocupados com\no mundo das favelas. O Estado não se importa nem um pouco com o\ncrescimento do crime organizado, pois há milhares de fortes acionistas\ndo crime organizado no interior do Estado. Em certo sentido, o Estado é\no crime mais bem organizado que existe. Ele mantém a desigualdade\nsocial, ele legaliza a expropriação secular dos oprimidos. Ele assegura\no funcionamento regular da escravidão assalariada. É o Estado que\ngarante que 100 milhões vivam na pobreza, dos quais 50 milhões na\nmiséria, enquanto os senhores Joseph &amp;amp; Moise Safra, os Andrade\nFaria, os Jorge Paulo Lemann, os Antônio Ermírio de Moraes, os\nBozano-Simonsen, os Santos Diniz, os Hermam Telles, os Seabra, os\nSteinbruch, e mais alguns outros, detenham fortunas pessoais que\nalcancem somadas a extraordinária cifra dos 30 bilhões de dólares!\n",1] );  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como toda ideologia encomendada pelo Estado, a Sociologia do Capitão Nascimento visa justificar uma política injustificável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muito tempo a situação do Rio saiu do controle. Os traficantes e as milícias privadas (formadas por ex-policias, bandidos e oficiais de carreira) governam dezenas ou mesmo centenas de favelas. O Estado perdeu o controle de porções imensas da capital. Milhões de seres humanos vivem sob o regime despótico e insano do crime organizado. Isso não quer dizer, naturalmente, que os bairros da capital que ainda recebem alguma assistência do Estado não estejam também sob um regime igualmente bestial e despótico. Significa apenas que há dois tipos de poderes no Rio de Janeiro dos nossos dias:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. O poder dos traficantes e das milícias privadas;&lt;br /&gt;2. O poder do Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses dois poderes estão em conflito. Não porque se odeiem mutuamente, mas porque o poder do crime organizado comete muitos excessos. É desagradável mesmo para a burguesia do Rio (que nutre desejos nada secretos de promover uma limpeza étnico-social com o extermínio em massa dos favelados) ver nos noticiários estrangeiros pessoas sendo queimadas vivas em coletivos. Quando esses excessos são cometidos na favela, tudo bem, não tem importância. Quando pessoas são esquartejadas, mutiladas, torturadas ou queimadas vivas na favela, não há problema. A burguesia não está nem aí. Mas quando a notícia sai no Times ou no Le Monde, ela sente uma espécie de mal estar. Não pelas vítimas ou pelas atrocidades em si, mas porque as ações de suas companhias aéreas na bolsa começam a cair. A indústria do turismo sofre em demasia com os excessos praticados pelos narcotraficantes. A morte de um João Hélio ou mesmo a de um pobre como o Jorge Cauã, quando é divulgada na Europa ou nos EUA, causa perdas significativas para os poderosos donos das agências de viagens, redes de hotelaria e turismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é claro que o Governador do Estado do Rio de Janeiro e seu Secretário de Segurança Pública não estão nem um pouco preocupados com o mundo das favelas. O Estado não se importa nem um pouco com o crescimento do crime organizado, pois há milhares de fortes acionistas do crime organizado no interior do Estado. Em certo sentido, o Estado é o crime mais bem organizado que existe. Ele mantém a desigualdade social, ele legaliza a expropriação secular dos oprimidos. Ele assegura o funcionamento regular da escravidão assalariada. É o Estado que garante que 100 milhões vivam na pobreza, dos quais 50 milhões na miséria, enquanto os senhores Joseph &amp;amp; Moise Safra, os Andrade Faria, os Jorge Paulo Lemann, os Antônio Ermírio de Moraes, os Bozano-Simonsen, os Santos Diniz, os Hermam Telles, os Seabra, os Steinbruch, e mais alguns outros, detenham fortunas pessoais que alcancem somadas a extraordinária cifra dos 30 bilhões de dólares! &lt;script&gt;&lt;!-- D(["mb","\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Ora, com todo esse dinheiro, esses senhores desejam aproveitar\no Brasil. Eles querem gozar o seu &amp;quot;Paraíso Tropical&amp;quot;. Eles querem o Rio\nde volta para eles. Eles querem os prazeres de Copacabana, Ipanema,\nLeblon, Zona Sul...\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;De que adianta possuir uma fortuna estimada em bilhões de\ndólares e levar um balaço na cabeça em um semáforo, disparado por um\nmolequinho de rua armado com um 38? Não adianta nada. Nem todo o\ndinheiro do mundo vai reconstituir os pedaços da cabeça da ex-senhora\nGerdal, que passeava tranqüilamente no Leblon, em sua Mercedes\nblindada, quando cometeu o erro de deixar o vidro aberto e seus miolos\nsaíram voando.\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;A burguesia quer paz. A burguesia quer tranqüilidade. Ela\nacumulou enormes fortunas com séculos de esforços árduos das classes\nexploradas. Ela acumulou fabulosas quantias de dinheiro fazendo do\nBrasil um dos países mais desiguais do mundo. Séculos de terrível\nexploração, misérias, escravidão, esforços sobre-humanos extraídos das\nmassas trabalhadoras, séculos de parasitismo social, para acabar assim?\nCom a cabeça despedaçada por um 38?\n\u003cbr\&gt;A burguesia está cansada. Ela cansou disso tudo. Ela não suporta\nmais as dimensões que a miséria adquiriu. Ela quer o Rio de volta.\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;E\nela não quer que seus sócios do morro, ligados à poderosa indústria\nmundial do tráfico de armas e entorpecentes, cometa excessos diante da\nopinião pública. Se for na favela, escondido, tudo bem. Mas na frente\ndas câmeras, não!\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Mas como conseguir a paz num regime de fome, penúrias,\nprivações, sofrimentos, angústias, terror, violência? Como conseguir a\npaz nessas condições? Com passeatas ridículas? Com campanhas pelo\ndesarmamento?\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;\nNesse ponto, a mentalidade do burguês, embotada pelas cifras dos rendimentos de suas aplicações, chega à seguinte conclusão:\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;&amp;quot;Senta o dedo nessa porra!&amp;quot;\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;É claro, porém, que o burguês não vai ele próprio botar a mão na massa, lógico que não!\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Ele tem seus empregados.\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;É nessa hora que entram em cena o Governador do Estado, o Secretário de Segurança Pública e a Rede Globo. Eles dizem:",1] );  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ora, com todo esse dinheiro, esses senhores desejam aproveitar o Brasil. Eles querem gozar o seu "Paraíso Tropical". Eles querem o Rio de volta para eles. Eles querem os prazeres de Copacabana, Ipanema, Leblon, Zona Sul...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que adianta possuir uma fortuna estimada em bilhões de dólares e levar um balaço na cabeça em um semáforo, disparado por um molequinho de rua armado com um 38? Não adianta nada. Nem todo o dinheiro do mundo vai reconstituir os pedaços da cabeça da ex-senhora Gerdal, que passeava tranqüilamente no Leblon, em sua Mercedes blindada, quando cometeu o erro de deixar o vidro aberto e seus miolos saíram voando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A burguesia quer paz. A burguesia quer tranqüilidade. Ela acumulou enormes fortunas com séculos de esforços árduos das classes exploradas. Ela acumulou fabulosas quantias de dinheiro fazendo do Brasil um dos países mais desiguais do mundo. Séculos de terrível exploração, misérias, escravidão, esforços sobre-humanos extraídos das massas trabalhadoras, séculos de parasitismo social, para acabar assim? Com a cabeça despedaçada por um 38?&lt;br /&gt;A burguesia está cansada. Ela cansou disso tudo. Ela não suporta mais as dimensões que a miséria adquiriu. Ela quer o Rio de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela não quer que seus sócios do morro, ligados à poderosa indústria mundial do tráfico de armas e entorpecentes, cometa excessos diante da opinião pública. Se for na favela, escondido, tudo bem. Mas na frente das câmeras, não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como conseguir a paz num regime de fome, penúrias, privações, sofrimentos, angústias, terror, violência? Como conseguir a paz nessas condições? Com passeatas ridículas? Com campanhas pelo desarmamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ponto, a mentalidade do burguês, embotada pelas cifras dos rendimentos de suas aplicações, chega à seguinte conclusão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Senta o dedo nessa porra!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro, porém, que o burguês não vai ele próprio botar a mão na massa, lógico que não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tem seus empregados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É nessa hora que entram em cena o Governador do Estado, o Secretário de Segurança Pública e a Rede Globo. Eles dizem:&lt;script&gt;&lt;!-- D(["mb","\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;&amp;quot;Estamos\nem guerra. Caveira! Temos que usar todos os meios disponíveis.\nPrecisamos torturar e matar. Antes disso, vamos preparar o terreno.\nVamos fazer um filminho. Cinema para o povão. Um filme bem didático,\ncom bastante narração em off que é pro povão entender, principalmente a\nclasse média, que é burra. Vamos fazer um filminho capaz de desumanizar\nas pessoas. Vamos fazer um filminho capaz de tornar cada imbecil\ntelespectador do Jornal Nacional um apoiador incondicional de nossos\nconflitos televisivos como o narcotráfico. Vamos fazer um filme de tal\nmaneira que as pessoas acreditem que é justo matar e torturar. Vamos\ntransformar nossas tropas de extermínio em &amp;#39;Tropas de Elite&amp;#39;. Seus\nexecutores e torturadores virarão heróis. Assim, a classe média que\nassiste a &amp;#39;guerra do Rio&amp;#39; pela TV vai achar que estamos fazendo um bom\ntrabalho de combate ao crime. E, principalmente, conseguiremos deixar\nos turistas estrangeiros mais tranqüilos. Precisamos mostrar a eles que\nem breve, se conseguirmos controlar esses animais, o Rio se tornará\nmais seguro. Caveira neles!&amp;quot;\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;E aí é lógico que sempre tem um Global à disposição. É lógico\ntambém que sempre haverá os capitais de uma multinacional como a\nMiramax à disposição.\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Foi assim que eles conseguiram difundir a\nSociologia do Capitão Nascimento, que é a versão tupinambá da política\nde &amp;quot;tolerância zero&amp;quot; nova-iorquina, a versão terceiro-mundista das\npolíticas de repressão contra imigrantes dos países europeus, a versão\nMade In Rede Globo da guerra contra a pobreza travada nos países\nimperialistas.\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;&amp;quot;Tropa de Elite&amp;quot; é essa merda toda.\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Mas cuidado.\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;O filme não é propriamente fascista, pois a classe dominante brasileira não deseja o fascismo.\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;A\nclasse dominante brasileira está muito satisfeita com o governo Lula.\nAfinal, &amp;quot;nunca antes nesse país&amp;quot; os banqueiros ganharam tanto dinheiro!\n&amp;quot;Nunca antes nesse país&amp;quot; os capitais estrangeiros especulativos foram\ntão bem remunerados! &amp;quot;Nunca antes nesse país&amp;quot; os usineiros puderam\ncontar com um herói tão abnegado! &amp;quot;Nunca antes nesse país&amp;quot; as\ncompanhias aéreas tiveram tantos privilégios, podendo até derrubar\naviões à vontade! &amp;quot;Nunca antes nesse país&amp;quot; os corruptos foram tão\nprivilegiados, contando com fantásticas absolvições e com a blindagem\nconcedida pelo próprio Presidente da República!\n",1] );  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Estamos em guerra. Caveira! Temos que usar todos os meios disponíveis. Precisamos torturar e matar. Antes disso, vamos preparar o terreno. Vamos fazer um filminho. Cinema para o povão. Um filme bem didático, com bastante narração em off que é pro povão entender, principalmente a classe média, que é burra. Vamos fazer um filminho capaz de desumanizar as pessoas. Vamos fazer um filminho capaz de tornar cada imbecil telespectador do Jornal Nacional um apoiador incondicional de nossos conflitos televisivos como o narcotráfico. Vamos fazer um filme de tal maneira que as pessoas acreditem que é justo matar e torturar. Vamos transformar nossas tropas de extermínio em 'Tropas de Elite'. Seus executores e torturadores virarão heróis. Assim, a classe média que assiste a 'guerra do Rio' pela TV vai achar que estamos fazendo um bom trabalho de combate ao crime. E, principalmente, conseguiremos deixar os turistas estrangeiros mais tranqüilos. Precisamos mostrar a eles que em breve, se conseguirmos controlar esses animais, o Rio se tornará mais seguro. Caveira neles!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí é lógico que sempre tem um Global à disposição. É lógico também que sempre haverá os capitais de uma multinacional como a Miramax à disposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que eles conseguiram difundir a Sociologia do Capitão Nascimento, que é a versão tupinambá da política de "tolerância zero" nova-iorquina, a versão terceiro-mundista das políticas de repressão contra imigrantes dos países europeus, a versão Made In Rede Globo da guerra contra a pobreza travada nos países imperialistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tropa de Elite" é essa merda toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas cuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme não é propriamente fascista, pois a classe dominante brasileira não deseja o fascismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A classe dominante brasileira está muito satisfeita com o governo Lula. Afinal, "nunca antes nesse país" os banqueiros ganharam tanto dinheiro! "Nunca antes nesse país" os capitais estrangeiros especulativos foram tão bem remunerados! "Nunca antes nesse país" os usineiros puderam contar com um herói tão abnegado! "Nunca antes nesse país" as companhias aéreas tiveram tantos privilégios, podendo até derrubar aviões à vontade! "Nunca antes nesse país" os corruptos foram tão privilegiados, contando com fantásticas absolvições e com a blindagem concedida pelo próprio Presidente da República! &lt;script&gt;&lt;!-- D(["mb","\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Os pobres favelados do Rio de Janeiro, coadjuvantes\ninvoluntários das filmagens da &amp;quot;guerra&amp;quot;, perceberão rapidamente a\nnatureza real dessa política. Porque eles perderão ainda muitos Jorge\nCauãs, centenas, milhares deles. E para piorar, agora que a execução\nsumária e a tortura foram legalizadas, essas mortes se tornarão ainda\nmais dramáticas.\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;A classe média, por sua vez, a prostituta dessa trágica\nnovela, se tornará cada vez mais favorável ao terror, porque ela gosta\nde ver cenas de combate, de tortura, de repressão. Na TV é tudo muito\nbonito. A classe média adora! Ela se sente mais segura quando vê um\nhelicóptero disparando contra bandidos desarmados em fuga. Ela adora\nisso!\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;O único problema é que as ações das Tropas da Elite nas\nfavelas vão aumentar ainda mais a violência. Pois os traficantes não\nsão idiotas como o &amp;quot;Baiano&amp;quot;. Eles são poderosos capitalistas como o\nFernandinho Beira-Mar, que possui uma fortuna estimada em 40 milhões de\ndólares. E eles não estão dispostos a perder seus negócios por conta\ndos desejos de &amp;quot;paz&amp;quot; da burguesia ligada ao setor de turismo.\n\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Eis aí em que se resume o conteúdo da &amp;quot;doutrina&amp;quot; do bravo Capitão Nascimento.\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;Não é incrível que o cretiníssimo jornalista da Veja tenha invocado Aristóteles para defender essa merda de filme?\u003cbr\&gt;\n\n\u003cbr\&gt;Zé Luís\u003cbr\&gt;São Paulo, 23 de outubro de 2007\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;-x-x-x-\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;José Luís dos Santos, 31, é jornalista.\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;\u003cbr\&gt;\n",0] );  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pobres favelados do Rio de Janeiro, coadjuvantes involuntários das filmagens da "guerra", perceberão rapidamente a natureza real dessa política. Porque eles perderão ainda muitos Jorge Cauãs, centenas, milhares deles. E para piorar, agora que a execução sumária e a tortura foram legalizadas, essas mortes se tornarão ainda mais dramáticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A classe média, por sua vez, a prostituta dessa trágica novela, se tornará cada vez mais favorável ao terror, porque ela gosta de ver cenas de combate, de tortura, de repressão. Na TV é tudo muito bonito. A classe média adora! Ela se sente mais segura quando vê um helicóptero disparando contra bandidos desarmados em fuga. Ela adora isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O único problema é que as ações das Tropas da Elite nas favelas vão aumentar ainda mais a violência. Pois os traficantes não são idiotas como o "Baiano". Eles são poderosos capitalistas como o Fernandinho Beira-Mar, que possui uma fortuna estimada em 40 milhões de dólares. E eles não estão dispostos a perder seus negócios por conta dos desejos de "paz" da burguesia ligada ao setor de turismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis aí em que se resume o conteúdo da "doutrina" do bravo Capitão Nascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é incrível que o cretiníssimo jornalista da Veja tenha invocado Aristóteles para defender essa merda de filme?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé Luís&lt;br /&gt;São Paulo, 23 de outubro de 2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-x-x-x-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Luís dos Santos, 31, é jornalista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;script&gt;&lt;!-- D(["ce"]);  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8359710020672334042-4003241316008556565?l=esperancadeliberdade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esperancadeliberdade.blogspot.com/feeds/4003241316008556565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8359710020672334042&amp;postID=4003241316008556565' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8359710020672334042/posts/default/4003241316008556565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8359710020672334042/posts/default/4003241316008556565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esperancadeliberdade.blogspot.com/2007/10/sociologia-do-capito-nascimento_29.html' title='A Sociologia do Capitão Nascimento'/><author><name>Joffe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13917171670585960114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8359710020672334042.post-2288847079216687140</id><published>2007-10-29T11:23:00.000-07:00</published><updated>2007-10-29T12:13:31.871-07:00</updated><title type='text'>"Fascista, não!"</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está certo. O Padilha e o Wagner Moura têm razão de estar chateados com essa história de serem chamados de fascistas. Isso foi uma grande injustiça. O filme não é fascista. De jeito nenhum. Só quem ignora completamente o que foi o fascismo poderia fazer tal confusão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O fascismo significa, antes de tudo, uma contra-ofensiva militar das classes dominantes contra os trabalhadores e seus  aliados: as nacionalidades, etnias e culturas oprimidas.&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A ascensão de Mussolini, Hitler ou Franco significava simplesmente uma reviravolta tática dos setores desfavorecidos do imperialismo europeu visando quebrar a coluna vertebral do proletariado de seus países, preparando assim circunstâncias favoráveis para a deflagração da Segunda Guerra Mundial. &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Hitler necessitava subjugar a classe operária alemã, expurgar a tradição socialista do movimento operário mais bem organizado do mundo, difundir o ódio racial, preconceitos étnicos, disseminar o terror, promover o holocausto... &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Para quê? Para que a indústria alemã pudesse escoar suas mercadorias para o mundo semicolonial e para os mercados europeus, dominados pelos imperialismos "democráticos": EUA, Inglaterra e França.&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Para que a técnica e a cultura mais desenvolvidas da Europa pudessem encontrar expressão no mundo dominado segundo a partilha feita na Primeira Guerra Mundial, Hitler necessitou converter os trabalhadores alemães em uma máquina de guerra. &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A dominação econômica dos mercados consumidores e das fontes de matéria-prima "alheios" requeria sua prévia dominação militar. Para isso, era preciso convencer a nação alemã a entrar numa guerra infernal, a sacrificar-se de corpo e alma numa guerra insana, a aceitar sua completa desumanização, a crer em sua superioridade racial, ou em qualquer outro tipo de superioridade (a ideologia racial foi apenas uma variante). Não foi fácil. Custou dez anos de esforços estatais intensivos, propaganda, terror, persuasão. Custou a reintrodução do trabalho escravo e o extermínio de milhões de seres humanos em campos de concentração. &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Isso era o fascismo, na sua forma mais decidida e resoluta: o nazismo.&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quando as circunstâncias tornaram-se favoráveis, os capitais bancários e industriais alemães decidiram afogar a Europa no sangue das suas classes trabalhadoras. E conseguiram. E ganharam muito dinheiro com isso, sem dúvida. A Wolkswagen, BMW, Siemens, Basf, Bayer, Bosh, entre outras, testemunham. &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Isso era o fascismo.&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Coitado do Padilha. É possível que ele tenha alguma coisa a ver com essa história? Claro que não!&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mesmo o fascismo terceiro-mundista, caricatura militar e econômica, naturalmente, do europeu, não poderia ser associado com a temática abordada em "Tropa de Elite". As ditaduras militares latino-americanas visavam frear a onda de revoluções de libertação nacional que abalou o mundo semicolonial do pós-Segunda Guerra, ao mesmo tempo que ofereciam resistência ao ascenso continental urbano favorecido pelo triunfo da revolução socialista em Cuba. É verdade que o BOPE foi instituído pela ditadura. Também é verdade que, naquela época, ele não tinha nada a ver com o suposto "combate ao narcotráfico". Suas funções eram muito menos "nobres". Mas, atualmente, o BOPE tem pouca coisa a ver com os "porões da ditadura". &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O filme não é fascista. Tampouco é justo dizer que faça apologia da tortura. Ele simplesmente mostra que a tortura existe, e que ela é sistematicamente usada pelas forças de coerção estatais, isto é, a tortura continua sendo um método sistemático adotado pelas forças policiais no Brasil. Outra coisa que o filme mostra é que, no Brasil, a pena de morte existe. Caveira! Morreu. Já eras. Execução sumária. Tiro na cara. Sem julgamento, sem direitos, sem nada. Pena de morte. Isso existe no Brasil. E foi isso que o filme do Padilha mostrou. No Brasil, a pena de morte e a tortura são métodos sistemáticos e preferenciais usados pelas forças de repressão do Estado. &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;Mas o Padilha não faz apologia da tortura? Claro que não. O Padilha  faz apologia da justiça, isso sim.&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Qual a razão do sucesso de "Tropa de Elite"? Muito simples: as pessoas ficam felizes por ver um pouco de justiça, mesmo que seja falsamente retratada. O Capitão Nascimento, do modo como foi retratado, é um justo. E os brasileiros são justos. Os brasileiros adoraram o Capitão Nascimento. O Capitão Nascimento faz justiça num país sem justiça, onde os dirigentes da nação são porcos corruptos, onde todas as instituições do Estado estão podres e corrompidas. O Capitão Nascimento mata e tortura. Mas, aos olhos do povo sofrido, acuado pelas privações, pela fome, pelos indizíveis sofrimentos, isso é justiça. Matar vagabundo, matar traficante. Caveira! Pega ele, Capitão Nascimento! &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O trabalhador brasileiro trabalha 44 horas semanais em penosas condições. Ganha salário mínimo. O filho é drogado. A esposa, doméstica. A filha, desempregada. O trabalhador brasileiro sofre. Então, vem o Capitão Nascimento e diz: "A polícia é corrupta. A polícia é sócia do narcotráfico. Não tem solução. Tem que matar. Caveira!" &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;E o trabalhador brasileiro fica imensamente comovido! Porque, além de tudo, o Capitão Nascimento toma água num copinho americano. E a mulher dele esquenta água para o café numa humilde panelinha. O trabalhador brasileiro tem pena do Capitão Nascimento, porque o Capitão Nascimento também sofre. Ele também é explorado e humilhado no serviço! Ele também passa privações, sofrimentos, angústias. O Capitão Nascimento tem até problema de família, igual ao trabalhador brasileiro! &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Aos olhos do povo, o suposto batalhão incorruptível de justiceiros humildes e bem intencionados representou um alívio. Viram? Existem pessoas justas nesse país. Existem pessoas como nós, que fazem das tripas coração. Que dão o sangue e o suor num trabalho honesto. Que são justas. O Capitão Nascimento é um justo, um sofredor. Um brasileiro. Por isso nós gostamos dele. Pega ele, Capitão Nascimento! Pega ele! &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Essa é a receita do sucesso. Além, é claro, do preço: só custou R$ 5,00. Para a maioria, oportunidade única de ver um filme assim, em primeira mão, ou, se preferirmos, de mão em mão.&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Não se trata de fascismo, de maneira alguma. &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mas de um falso retrato da justiça, encomendado por um Estado corrupto, podre, incapaz.&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O Padilha fez o que a Secretaria de Segurança Pública do Rio e a Rede Globo jamais fariam: criou a ilusão de justiça, criou a ilusão de honestidade. &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Agora, o povo pobre, humilde e espoliado das favelas do Rio será vítima do terror, dos bárbaros assassinatos, das balas de fuzil perdidas, das torturas, das humilhações; porém, na TV, no Jornal Nacional, os assassinos torturadores serão reverenciados! A opinião pública será favorável ao terror! &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quando o Caveirão, o blindado assassino do BOPE, entrar nas favelas atirando nos miseráveis, nos desvalidos, atirando nos herdeiros da escravidão, a classe média gritará "Caveira!" em seus lares confortáveis. &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Além disso, o Estado não tem mais nada a ver com o narcotráfico. Não são os juízes, promotores, deputados, senadores, prefeitos, governadores, delegados os responsáveis pela proliferação do narcotráfico. O Estado não é mais cúmplice da indústria das drogas. A partir de agora, os cúmplices do narcotráfico são... os filhinhos de papai da classe média, que fumam maconha e cheiram cocaína! Bate neles, Capitão Nascimento! Surra eles! Eles financiam o tráfico! As multinacionais, os grandes bancos, os acionistas das grandes indústrias, os sócios da "multinacional do pó" não têm nada a ver com o tráfico! A culpa é dos maconheiros! Pega ele! Caveira nele! Caveira nele, Capitão Nascimento! &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quando, finalmente, as armas do BOPE forem apontadas para a cabeça do trabalhador brasileiro, acuado num bequinho da favela, não adiantará clamar por piedade. "Piedade, Capitão Nascimento! Não mata, por favor, tenho filhos pequenos, sou trabalhador, honesto. Sou preto porque nasci preto, sou pobre porque nasci pobre! Mata, não, Capitão Nascimento! Mata, não!" &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Não adiantará.&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O Capitão Nascimento é apenas uma marionete numa Tropa da Elite. A Elite mata. A Elite quer matar. A Elite não gosta de "preto". A Elite não gosta de pobre. Pouco importa que sejam trabalhadores ou traficantes. Pouco importa. A Elite quer gozar o seu Paraíso Tropical. A Elite cansou de ser açoitada nos semáforos. A Elite não quer mais ser ameaçada por assaltantes por causa de relógios. A Elite cansou de levar bala na cabeça em seus veículos blindados. A Elite está cansada e horrorizada com a proliferação da miséria e da violência. &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Olho, trabalhador brasileiro!&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;A Tropa da Elite vem aí. E vai pegar você.&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Aí vem a tortura, a pena de morte.&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Olho, trabalhador brasileiro!&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;O Capitão Nascimento não existe.&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Na vida real, eles vão matar você, não o traficante rico. &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Olho, trabalhador brasileiro!&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt; &lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Luís dos Santos&lt;br /&gt;São Paulo, outubro de 2007&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;PS.: José Luís dos Santos é jornalista desempregado.&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8359710020672334042-2288847079216687140?l=esperancadeliberdade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esperancadeliberdade.blogspot.com/feeds/2288847079216687140/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8359710020672334042&amp;postID=2288847079216687140' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8359710020672334042/posts/default/2288847079216687140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8359710020672334042/posts/default/2288847079216687140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esperancadeliberdade.blogspot.com/2007/10/fascista-no_29.html' title='&quot;Fascista, não!&quot;'/><author><name>Joffe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13917171670585960114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8359710020672334042.post-8496112732409430772</id><published>2007-10-29T11:22:00.001-07:00</published><updated>2007-10-29T11:22:33.870-07:00</updated><title type='text'>Os Ensinamentos do Capitão Nascimento</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Esses caras do BOPE e da CORE são realmente muito burros!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles não entenderam nada do que o Capitão Nascimento disse!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vez de ficar gastando munição na favela, matando vapor e aviãozinho, matando fogueteiro do tráfico, não seria mais racional atingir direto a raiz do problema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para cada arma apreendida da mão dos traficantes executados, a PM leva outras três para a favela (o próprio Capitão Nascimento disse isso). Por outro lado, para cada fogueteiro executado, a miséria fornece outros 100 para o contingente dos traficantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, pra que trocar tiros com os caras? Será possível que um policial de elite não saiba quantos barracos um tiro de fuzil é capaz de varar furando tudo o que aparecer pela frente? Não bastam os 19 mortos na operação do complexo do Alemão, dos quais apenas 9 tinham ligações com o tráfico? Não basta a morte do Jorge Cauã, o menino de 4 anos, brutalmente assassinado na guerra insana travada pela polícia com os traficantes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse pessoal é muito devagar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Capitão Nascimento é que tinha razão! Mas infelizmente as pessoas não prestaram muita atenção nas palavras dele... Todos se entusiasmaram com as execuções sumárias e com as torturas e esqueceram de ver o lado racional do Capitão Nascimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Capitão Nascimento ensinou que quem financia o tráfico, ou seja, quem garante a manutenção dos traficantes e de todo o círculo infernal que vai da produção ao consumo das drogas, são os playboys. A culpa é dos playboys! São os mauricinhos e as patricinhas! Esses caras cheiram montanhas de cocaína, fumam toneladas de maconha e, com isso, movimentam os negócios dos traficantes. Não é simples?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De acordo com os ensinamentos do Capitão Nascimento, seria suficiente acabar com o consumo das drogas para acabar com o tráfico! Dessa forma, a "Guerra do Rio de Janeiro" terminaria de uma forma muito menos traumática!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece, porém, que as tropas de elite da vida real cometem um erro básico: elas acreditam que os playboys consomem a cocaína na favela!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O playboy não consome a cocaína na favela, mas em mansões luxuosíssimas, acompanhado, normalmente, de muitos outros playboys, garotas de programa, e traficantes elitizados que não gostam do ambiente da favela. É nessas mansões situadas nos bairros ricos que a poeira rola solta, não na favela. O playboy de verdade, aquele que de uma vez só gasta R$ 10.000,00 em cocaína, não precisa ir à favela. O traficante manda um carro da PM fazer pronta entrega na mansão dele. É o disk-coca: ligou, tá na mão! Na favela o playboy se sente muito pouco à vontade, aquela miséria toda... Credo! O playboy não gosta disso. O playboy gosta de cheirar em suítes luxuosas, bebendo whisky 12 anos, fumando charutos caros, acompanhado de mulheres caras. É assim que o playboy cheira, não na favela. Favela é coisa de pobre, de otário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os playboys também apreciam muito as caríssimas casas noturnas do Rio e de São Paulo. Numa única balada eles consomem montes de cocaína, gastam fortunas com ecstasy, fumam maconha aqui e ali, bebem feito condenados. Eles gostam também das "raves", onde há sempre muitos traficantes infiltrados, passando ecstasy e cocaína para a elite rica que gosta de se divertir. Esses caras cheiram. E cheiram pra valer. Um único playboy pode gastar mais de R$ 1.000,00 numa noite só com narcóticos. Obviamente, sempre há um traficante ao lado dele. O playboy é sempre bem servido. Nessas "raves", os narcóticos são consumidos à vontade. É o desbunde da burguesia. Os filhos da elite branca do nosso país cometem toda sorte de transgressões nessas bacanais legalizadas. Há sempre muito dinheiro e uma enorme logística por trás de uma "rave" realizada nos bairros ricos de São Paulo e do Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas... coitado do pessoal do BOPE! Eles são muito burros! Procuram os mantenedores do tráfico no lugar errado, na favela! Imaginem só! Quanta ingenuidade! Os financiadores do tráfico não estão na favela. Eles estão no Governo, no Estado, na direção das grandes empresas, na direção dos grandes bancos. Os playboys que financiam o tráfico são empresários, acionistas, banqueiros, proprietários de terras, de imóveis, de empreiteiras. É lá que o BOPE tem que procurar a origem de todos os males. Não na favela. Na favela tem o vapor, o soldado, o avião... Mas esses são os pés-rapados. Não são eles que financiam o tráfico. Quem financia o tráfico é a elite, pois a elite é proprietária das terras onde a maconha é plantada. A elite é proprietária das indústrias que processam a folha da coca. A elite é proprietária dos bancos que fazem a lavagem de dinheiro para os traficantes milionários. E a elite não está na favela. Não adianta promover uma guerra na favela, a elite não mora lá. Quem mora na favela são os miseráveis. Os miseráveis não compram e não vendem armas. Os miseráveis não fazem lavagem de dinheiro. Os miseráveis não sabem subornar prefeitos, deputados, governadores, delegados de polícia, juízes, promotores. Quem faz isso é o dono do banco. Quem faz isso é o proprietário da fábrica de armas. O dono da fábrica de armas diz: "O Comando Vermelho é meu principal cliente. Cedam as armas para ele." E a PM vai lá e entrega as armas para o Comando Vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o BOPE não mata o dono da fábrica de armas. O BOPE não tortura o acionista da multinacional que faz as transferências e as aplicações internacionais para os traficantes. O BOPE não entra com o Caveirão nas mansões de luxo onde a elite branca consome as drogas. O BOPE nunca torturou uma adolescente loira de olhos azuis filha de um juiz porque ela tinha meio quilo de cocaína em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum policial do BOPE torturou com asfixia e espancamento, ou com tiros à queima-roupa nos membros inferiores, a estudante universitária Manuela Kirschner do Amaral, filha do ex-Embaixador brasileiro em Londres, Sérgio Amaral, ex-porta-voz do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ex-Ministro do Desenvolvimento, quando ela foi detida em 2000 por tráfico de entorpecentes. A universitária Manuela Kirschner do Amaral era traficante. Ela foi presa portando nada mais nada menos que 260 pastilhas de ecstasy. Ela traficava nas "raves".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum policial do BOPE enfiou o Caveirão na mansão dela. Nenhum policial do BOPE enfiou um cabo de vassoura na bunda dela exigindo que ela revelasse suas ligações com os narcotraficantes. Nenhum homem de preto, nenhum caveira, teve a dignidade de torturar devidamente a filha do ex-embaixador e ex-ministro para que ela revelasse de onde vinha o ecstasy e como ele era vendido. Os homens de preto não fizeram nada disso. Sequer foram capazes de enfiar o saco plástico na cabeça dela. Ela não foi espancada até perder os sentidos. Ela não passou a noite inteira com um eletrodo nos órgãos genitais levando descargas de 220 volts...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que lamentáveis "homens de preto"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aconteceu com a traficante universitária Manuela Kirschner do Amaral?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi solta no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas pessoas certamente gostariam de ver a Manuela Kirschner do Amaral ser torturada. Muitos teriam uma fixação doentia pelo cabo de vassoura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente os "homens de preto" do BOPE não são capazes de fazer essas coisas. Por quê? Porque uma Tropa da Elite não pode atingir a própria Elite. Porque eles são uns covardes. É mentira que eles fazem coisas que "assustam o satanás". É mentira. Eles fazem coisas que assustam os favelados, isso sim. Eles são uns pobres imbecis idiotizados, violentados, humilhados, que descontam todo o seu horror cotidiano e o seu ódio alimentado no interior do batalhão sobre os miseráveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho uma dica para os policiais do BOPE:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrem com o Caveirão numa boate de luxo da noite do Rio de Janeiro. Espanquem todos os playboys a noite toda. Torturem os playboys. Arranquem confissões deles. Assim, descobriremos do dia para a noite quem são os verdadeiros culpados pela situação em que estamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não sejam covardes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando encontrarem a filha de um embaixador, o filho de um juiz, de um procurador, de um governador, não hesitem. Façam valer o lema da corporação! Orgulhem o Batalhão! Sejam dignos e merecedores do nome que levam! Sejam homens e executem eles também! Caveira neles, covardes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé Luís&lt;br /&gt;São Paulo, outubro de 2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs.: Manuela Kirschner do Amaral está em liberdade. Homens de Preto, ainda há tempo. Eu tenho um cabo de vassoura em casa.&lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8359710020672334042-8496112732409430772?l=esperancadeliberdade.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://esperancadeliberdade.blogspot.com/feeds/8496112732409430772/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8359710020672334042&amp;postID=8496112732409430772' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8359710020672334042/posts/default/8496112732409430772'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8359710020672334042/posts/default/8496112732409430772'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://esperancadeliberdade.blogspot.com/2007/10/os-ensinamentos-do-capito-nascimento.html' title='Os Ensinamentos do Capitão Nascimento'/><author><name>Joffe</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13917171670585960114</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
